Longa vida ao Rei

29 06 2009

MJ

Era 1997, a família toda estava reunida na sala em frente à televisão. Eu ainda era um projeto de gente, não tinha espinhas, não tinha problemas. Ia começar o show, meu pai preparou o VHS para gravar numa fita que marcou tanto a minha vida, que eu guardo ela até hoje.

Michael Jackson, em seu show em Munique, ia passar na TV.

Não me lembro se foi aí que tudo começou… Provavelmente não, afinal, eu já escutava as músicas dele antes disso… Mas eu lembro que foi aí que eu me dei conta do quanto eu ainda iria ouvir essas músicas durante a minha vida!

michaeljackson

Não perdi uma música sequer desse show, um detalhe, um passo de dança, um gritinho. Para mim, era tudo mágico, os brilhos, as luzes, os efeitos, aquele pessoal sortudo que assistiu ao vivo e em cores esse espetáculo que faz você sentir de tudo um pouco! Senti adrenalina na abertura do show enquando ele chegava naquela espécie de montanha-russa virtual… Medo quando ele fez a mágica durante a apresentação de Thriller… Desespero quando vi um monte de caixas de som caírem em cima dele… Admiração quando ele inclinou pra frente em Smooth Criminal… Alegria quando ele tocava Dangerous, que era a música que eu mais escutava dele… Tristeza quando ele tocou Earth Song… E depois, uma vontade de chorar, quando ele abaixou a arma daquele soldado… Cena que até hoje tira arrepios de mim…

Depois desse dia, fui caçar quais CDs do Michael Jackson meu pai possuia em sua sagrada coleção. E achei, quatro: Thriller, Bad, Blood on the Dance Floor (HIStory in the Mix) e Dangerous (este misteriosamente sem o encarte, que até hoje eu não sei o real motivo do por quê disso). Foram com esses quatro CDs que eu começei a escutar música por conta própria. Foram com esses quatro CDs que o meu vício interminável por Michael Jackson começou. Foram com esses quatro CDs que eu criei um desejo de assistir pelo menos um único show daquele que chamavam de “Rei do Pop”.

Mas agora, o desejo se foi.

O Rei está morto.

E levou esse desejo com ele.

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Foi difícil de acreditar naquilo que eu estava lendo… Foi de repente, sem motivo, sem um porquê. Ele morreu, e era simples assim. Era tão simples que eu ainda custava em acreditar. Eu simplesmente não conseguia imaginar o mundo sem um Michael Jackson, sem aquele cara que andava pra trás, sem aquele cara que mexia as pernas como se fosse a coisa mais simples do mundo, sem aquele cara que soltava os gritinhos mais estranhos que eu já escutei…

Mas, foi apenas o corpo dele que se foi… Ele deixou conosco o seu ritmo, as suas músicas e o seu legado inteirinho… E assim como nossos pais nos contam sobre a época em que Elvis estava vivo e os Beatles tocavam juntos, nós contaremos para nossos filhos sobre a época em que Michael Jackson cantava, dançava e encantava todos aqueles que o viam subir no palco!

Que o Rei descanse em paz. Longa vida ao Rei!





Miraldo 2.0

28 02 2009

Duas décadas! Hoje eu completo duas décadas de existência nesse mundinho que chamamos de Terra. São 20 anos de experiências que carrego comigo agora. E esse número não para de subir em momento algum.

Hoje, resolvi fazer um poeminha simples, sem rimas nem nada, com as coisas que eu presenciei que eu acho que valem a pena serem mencionadas. E de coisas que eu acho que marcam bastante uma pessoa.

Eu vi vinte anos se passarem.
Com eles, eu vi a virada do século.
A virada do milênio.

Vi coisas bonitas:
Paisagens,
Lugares,
Pôr-do-sol!
A Natureza!

Mas também vi coisas feias…
Violência,
Drogas,
E o racismo.

Vi gente bonita.
E feia.
Eram brancos, negros,
E até amarelos.
Irmãos.

Vi um negro se tornar presidente da maior nação mundial.
Vi a mudança.
O sofrimento.
A queda do World Trace Center.
O pânico,
A tristeza…

E não acreditei.

Vi como é começar a trabalhar.
O primeiro emprego,
O primeiro salário,
A primeira compra,
A primeira dívida,
O primeiro aperto…

Vi dois satélites se chocarem no espaço!
Vi o tamanho da ignorância humana.
A falta de bom senso.
E apesar de tudo,
Não consigo ser muito diferente…

Vi pessoas virem,
E irem…
Amigos que aparecem do nada,
Amigos que você nunca mais vê na vida,
Amigos que sempre estarão do seu lado!

Mas também vi pessoas aproveitadoras,
Que tiram vantagem dos outros.
De má fé,
Que falam pelas costas.
Sem coração.

Vi a vida chegando,
Brilhando nos olhos de um recém-chegado.
Mas do mesmo jeito que ela vem,
Também vi a vida indo embora,
A morte batendo na porta…
A ficha que não cai,
Os sentimentos que não vão embora,
A pessoa que não queremos deixar.

Vi os novos ares,
Vi uma nova cidade,
Uma nova vida.

Vi a chance de mudar…
Mudei.

Vi que a beleza e a felicidade estão nas pequenas coisas…
E que essas coisas acontecem todo dia,
Em casa, na rua,
Numa noite,
Ou até numa longa viagem…
Onde as nuvens passam,
Os pássaros voam,
E você nem percebe o tempo passar…

O céu,
As pessoas,
Os passarinhos que pousam na janela do meu quarto…
Eu consigo ver a graça em cada um deles,
Consigo ver a vida,
E vejo que tudo isso faz parte de algo bem maior,
Que não entendemos,
Mas que talvez nem precisamos,
Só aceitamos.

Vi a inveja,
O desgosto,
O pecado.
Aprendi que não podemos deixar essas coisas nos influenciarem…
Mas também vi o carinho,
A paixão,
O amor.
E que essas, sim, são as coisas que devemos absorver.

Mas acima de tudo isso,
Eu vi que eu aprendi,
Eu vi que cresci,
Vi que vivi!

E, meu Deus, eu vivi bem!

 

 

Um agradecimento ultra-especial para todos os meus amigos e familiares,
Aqueles que estiveram, estão, e sempre estarão presentes.
Inesquecíveis.





Histórias da Vida: Os olhares que nunca esquecerei…

21 08 2008

Eu não sou uma pessoa de brigas, sério. Quem me conhece sabe disso, e graças ao meu físico inigualável, estou mais propício a levar socos do que dar socos. Mas isso não significa que eu vou simplesmente aceitar uma situação em que não concordo e não fazer nada para mudá-la. Claro, na maioria das vezes, elas podem ser resolvidas civilizadamente, mas sempre existem pessoas nesse mundo que resolvem não ter um senso comum básico, e a única arma que temos contra essas pessoas é a mais pura das ignorâncias.

Sim, vou contar uma história que aconteceu comigo em meados de Junho de 2006, quando eu ainda freqüentava o 3º Ano do Ensino Médio na Escola Estadual Ministro Costa Manso.

Junho, época de Festa Junina, último ano do Ensino Médio. Quem já passou por isso sabe que essa é a melhor época pra zuar, e zuar de verdade mesmo! E foi o que resolvemos fazer, com uma quadrilha de papéis invertidos: homens vestidos de mulher, e mulheres vestidas de homem. E, naturalmente, uma boa quadrilha precisa de um bom ensaio. E foi o que aconteceu nas semanas anteriores à festa.

Meu par era uma grande amiga minha (não vou citar nomes), mas infelizmente ela estava passando por alguns daqueles maus momentos da vida que temos. E ela não estava feliz. Depois de muito conversar com ela e de tentar animá-la, eis que eu consigo fazê-la topar de dançar na quadrilha. Maravilha, não?

Pois então, ele surge… Um sujeito que prefiro não dizer o nome (quem viu sabe quem é) resolveu dançar também. E eu não suportava ele. Aliás, não só eu, como todo mundo ali também não suportava a mera presença dele. Mas tudo bem, afinal, ele é aluno matriculado, possui os mesmos direitos de todos ali, e pode muitíssimo bem querer dançar ou não na quadrilha. Justo. E os ensaios começaram, semana após semana, tentando encaixar passo atrás de passo, movimento atrás de movimento. Tudo corria bem, até aquele fatídico dia.

Ela estava mal. Havia acontecido algo naquele dia com ela, e ela não estava bem psicologicamente pra poder ir dançar. Como bom amigo que sou, fui conversar com ela, trocar uma idéia, confortá-la e finalmente consigo fazer ela topar ir no ensaio só pra dar um pouco de risada (afinal, era muito engraçado ver aquele monte de marmanjo dando uma de bicha louca) e tirar esses problemas da cabeça, se sentir melhor.

Mas, mesmo assim, ela não estava concentrada, e errava freqüentemente os passos.

Foi quando o sujeito que não suporto começou a falar um monte, por exemplo:“Porra, Fulana, olha o que você tá fazendo, se toca!” ou até “Fulana, pára de errar, caralho!”. Naturalmente, o ânimo dela foi caindo. A pior coisa pra uma pessoa que está se sentindo pra baixo, é ser levada mais pra baixo ainda. Eu percebi o que estava acontecendo e que ela havia parado de dar risada. Estava séria, e eu não gostei. Mas até aí, eu estava só na minha, esperando pra ver se o sujeito iria se tocar.

Mas não, ele resolve lançar mais uma: “Caralho Fulana, vai tomar no cu! Você é burra, num sabe dançar não?”. E ela não agüentou. A última coisa que vi foram seus olhos vermelhos, antes de ela virar as costas e sair andando pra fora do pátio.

E aí, eu também não agüentei.

Foi automático: na mesma hora, eu parei de dançar, atravessei a roda até onde o sujeito estava, punho fechado. Quando ele me viu já era tarde, e não teve tempo de reagir: soquei a mão na gola dele, levantei no ar (não me pergunte de onde veio tanta força, mas ela veio), e o prendi contra a parede mais próxima. Comecei a falar um monte pra ele, o pessoal começou a olhar, a música havia parado. Nunca havia falado tão sério assim com alguém antes. Estava pouco me lixando se a galera tava olhando ou não, estava pouco me lixando em atrapalhar os ensaios, estava pouco me lixando se iria tomar algum tipo de advertência ou não. Mas alguém precisava ensinar pra esse infeliz um pouco de bom senso. Aliás, considerava essa minha amiga como uma quase-irmã pra mim já, não podia deixar barato:

“Muleque, você é demente? Tem problema? Tu não tá vendo o estado da garota, tu não tá vendo que ela tá mal? Olha o que você fez agora! OLHA O QUE VOCÊ FEZ! Você NÃO sabe o que tá acontecendo, você NÃO sabe pelo o que ela passou! Custa ter um pouco de bom senso e PENSAR um pouco antes de sair por aí falando merda pra qualquer um? SE TOCA, PORRA!”

E joguei ele pro lado. Ele ficou me olhando, perplexo. Simplesmente não acreditava no que eu acabara de fazer. E não foi só ele.

Olhei em volta, foi quando eu percebi que era o centro das atenções. Todos os olhos estavam voltados pra mim. Meus pulsos estavam tremendo e eu estava completamente nervoso. Sem saber o que fazer, eu simplesmente larguei o sujeito no chão, me afastei até um banco e sentei.

Algumas pessoas cochicharam, resmungaram, outras até deram uma risadinha. Mas alguns poucos amigos fiéis que estavam em volta, foram até mim. Eles nunca haviam me visto nervoso uma vez sequer, em anos de convivência, e lá estava eu, com os punhos tremendo ainda, sangue nos olhos, ainda não acreditando como uma pessoa poderia ser tão retardada e insensível.

“Você está bem?”, uma outra amiga me perguntou. Eu olhei pra ela, e no momento que eu fiz isso, ela deu um passo pra trás. O olhar que eu nunca vou me esquecer: ela estava com medo de mim, eu estava assustando meus amigos. Foi quando eu percebi que eu deveria começar a pensar em relaxar, pois, se até meus melhores amigos da escola resolveram dar um passo pra trás só de trocar olhares comigo, significava que eu realmente NÃO estava emanando uma energia muito agradável.

A última coisa que eu queria naquele momento era espantar meus amigos, então eu respirei fundo, e, fazendo um grande esforço para a minha voz parecer a mais normal possível, eu respondi: “Estou, estou sim… Daqui a pouco eu melhoro…”. Foi quando o meu par voltou, e eu não agüentei e fui abraçar ela. Só me lembro de ter escutado um “Obrigada” enquanto eu tentava me desculpar.

O ensaio continuou depois disso, e, naturalmente, o sujeito não olhou nenhuma vez mais na minha cara, e nem disse mais uma palavra o resto do dia. Ele nunca mais se dirigiu à mim ou à minha amiga pra falar sobre a quadrilha, e todos os outros dias, nos intervalos, quando eu cruzava o olhar com o dele, ele imediatamente olhava pra baixo. Pelo menos até o último dia de aula, quando ele veio se desculpar.

 

Sim, essa história é real, e aconteceu comigo. Foi algo que me marcou, não pela briga, mas pelo medo que eu via refletido nos olhos dos meus amigos: medo de mim! Esses olhares me marcaram de tal forma, que eu nunca mais quero vê-los novamente na vida.





Sessão de cinema

16 06 2008

Como a maioria aqui deve saber, minhas provas já acabaram, finalmente! Mas, enquanto eu não posso ir para São Paulo, eu fico aqui em Lins só relaxando! 😉 E qual a melhor coisa pra se fazer numa noite sozinho? (Sem pensamentos maliciosos, por favor!) Logicamente, assistir filmes! 😀

Cara, como eu gosto de ver filme! É muito bom! Claro, o filme tem que ser bom também, né? Mas é só você ir escutando a voz do povo que você consegue ter uma bela idéia de quais filmes você deve assistir! Pessoalmente, os melhores filmes na minha opinião, são aqueles que, no final, você simplesmente pára e fica pensando: “Caracas…. O que foi isso? Sensacional!”

É… Mas não são só aqueles filmes que fazem você parar pra pensar (por exemplo, Click, que realmente me fez pensar no final em como a vida passa rápido e nós aqui, desperdiçando), mas outros que você pára e diz: “Isso foi simplesmente PHODÁSTICO!”

Click

Certo, eu preciso de exemplos… Ah, claro! Eu acabei de assistir O Reino Proibido e devo dizer que é um p*ta de um filme! Claro, só por conter o nosso aclamado Jackie Chan em suas lutas animalescas cheias de movimentos loucos e engraçados que nossos olhos mal podem acompanhar já vale o preço! Naturalmente, é mais um daqueles filmes impossíveis de acontecer na vida real, mas MEU! ESSA É A GRAÇA! Pra que você pagaria pra assistir um filme sobre coisas que você já vê na vida real? Pelo amor de Deus! Eu quero ver coisas impossíveis, engraçadas e que me façam dar risada e/ou ficar boquiaberto!

The Forbidden Kingdom

Um exemplo de filme completamente retardado mas que eu sempre dou risada quando assisto? Shaolin Soccer, ou Kung Fu Futebol Clube, como preferir, esse filme ficou conhecido por vários nomes! Claro, ele ficou conhecido mesmo graças a um vídeo que rondava várias caixas de entrada de e-mails antigamente que era uma mulher que dava uma espécie de Hadouken pra poder estacionar o carro de lado. Não sabe de qual vídeo eu estou falando? Então dá uma clicada aqui!

Shaolin Soccer

Mas eu mudei meu foco, estou falando de filmes que fazem você pensar no final! Esse aí de cima só faz você dar risada (e quanta risada!), mas não é algo que você pára e pensa… Ah, eu já sei! Esse filme é bom, e eu mencionei ele aqui outro dia mesmo! É do meu diretor preferido, o imbatível Steven Spielberg (apesar de ele ter sido o produtor nesse aqui)! E é velho! Putz, como esse filme é velho! Mas é muito bom!!! 😀 Quando acaba o primeiro, você simplesmente precisa assistir o segundo! E quando acaba o segundo você também simplesmente precisa assistir o terceiro! Naturalmente, quando acaba o terceiro você precisa assistir o quarto! Maaaas, não tem quarto filme, o que é uma pena… 😦 Então, você acaba querendo assistir tuuuudo de novo! 😀

É pessoas, uma das melhores trilogias que eu conheço é, sem dúvidas, De Volta Para O Futuro! A maneira como as coisas se encaixam é simplesmente absurda! Esse filme é perfeito! Esse filme é geek! Esse filme é a minha cara! IAUEHauieh Sem contar, claro, que eu amo a trilha-sonora dele! 😛

Back To The Future

Agora, a pergunta de maior preocupação na minha cabeça hoje é: “Qual filme eu vou assistir amanhã?” 😉

Um abraço e um beijo para todos!





Amizades internacionais

14 06 2008

É pessol, hoje vou falar sobre amizades internacionais! 😀

Mas o que são amizades internacionais? Ora, são amizades com o pessoal que mora fora do Brasil (dãããh)! E como diabos você encontra pessoas fora do Brasil? Olha, até onde eu sei, a internet não é limitada só pra Orkut ou MSN… Tem mais gente lá fora! 😉

Uma das melhores coisas é ter um amigo do outro lado do mundo, por vários motivos! O principal é que, se ele não fala português, você vai ter que se virar pra poder conversar com ele, e com isso voce acaba treinando um idioma secundário, e na grande maioria dos casos, é o inglês! No meu caso, eu já falo inglês, e aprendi foi sozinho, então sem desculpas estilo “Ah, eu não sei falar inglês!”… É só pegar um livro e ler com um dicionário do lado. Acreditem, isso funciona de verdade, você aprende bastante assim! O resto é dedicação! 😉

Outro motivo? A cultura! Pessoal, o Brasil pode ser um país cheio de cultura, mas tem muito mais por aí! E cultura nunca é o suficiente! Pegue o nome da cidade do seu amigo, pesquise no Google Maps, veja onde fica, se localize, pesquise! Você acaba ficando mais esperto, acaba sabendo onde ficam os países de uma maneira mais interessante! Hoje mesmo acertei onde um sujeito morava só de ele me dizer que horas eram na casa dele! Duvida? Pois bem:

timezone

Sim, West Coast, ou seja, Costa Oeste, mais precisamente, California! (putz, quanta vírgula!)

E devo dizer que o pessoal dos EUA é bem menos ignorante do que nós brasileiros pensamos. Um outro amigo meu (dos EUA também) é tão culto que já fala três línguas diferentes! E ele tem a minha idade! õ.O *se sentindo atrasado* Claro, existem os ignorantes, já achei gente que dizia que o Cristo Redentor ficava em São Paulo e que Rio de Janeiro era nossa capital, mas, convenhamos… Não sabemos muitas coisas lá de fora também, então por quê eles são obrigados a saber sobre as coisas daqui? Sejamos honestos, oras…

Quanto à esse cara da Califórnia, nós falamos sobre muita coisa… Vocês sabiam que nos EUA existem carros movidos à água? E que já existem baterias que fornecem energia o suficiente para uma casa inteira? Tecnologia anti-gravidade e anti-inércia? Onde estão essas coisas? Olhem só:

carss

Estou imaginando um carro onde, quando você faz uma curva ou freia repentinamente, você não é jogado para os lados. E esse mesmo carro pode voar e é movido à água… É por isso que eu não pretendo ficar no Brasil, as coisas acontecem lá fora! E eu realmente quero fazer parte disso!

Mas enfim, eu não tenho amigos só nos EUA… Tem um que eu converso bastante aqui, que é da Itália, e o cara desenha que nem um mestre! Pelo menos pra mim né, que mal sei desenhar um homem palito sem que um braço saia maior que o outro… Ah, claro, ele mandou um alôw! 😀

mangasprai_international

Boas conversas, muito interessantes, e com direito a boas risadas! Madrugadas cheias aqui em Lins, com direito a um post às 5h da manhã! E o sono, onde fica? 😀

Um beijo e um abraço para todos os leitores e inleitores! Muito obrigado pelo apoio, suporte e feedback de vocês! Continuem comentando pois, queiram ou não, são vocês que fazem o blog crescer, e não eu! 😉

 

@ Mandela Day – Simple Minds
(Eita coleção de música velha! XD)





A Caverna de um Nerd

14 03 2008

Uma continuação do texto O Guia do Nerd, traduzido e baseado no A Nerd In A Cave do blog Rands in Repose.

A Caverna é uma casa intelectual. A cozinha é onde se come, a cama é onde se dorme, e a Caverna é onde se pensa. E todos possuem uma Caverna, sem exceções: é só segui-los pela casa. Pode ser desde um depósito cheio de tralhas até uma cozinha cheia de utensílios, mas existe uma Caverna em algum lugar específico da casa.

Mas a Caverna do nerd tem suas marcas únicas:

  • Um computador numa mesa com fácil conexão com a Internet. O fato de ter um computador sem conexão com a Internet é o mesmo do que ter um quarto realmente grande mas sem cama para poder dormir. Quando o nerd senta no computador e se vê sem acesso à Internet ele pensa: “Bem, eu poderia jogar Paciência, não?”. Mas o fato é que a Internet é a fonte de vida na Caverna, pois a conecta com o resto do mundo.
  • Recursos que literalmente cancelam o mundo, como uma porta ou fones de ouvido que reduzem ruídos. Essas coisas são um tanto quanto irritante para outras pessoas, mas vou falar disso mais pra frente.
  • Uma coleção aleatória de bugigangas que confortam o nerd. Isso varia muito de nerd para nerd, mas sempre existe pelo menos um objeto ou um talismã do qual o nerd não consegue se ver sem.
  • Algo para beber. O nerd não consegue se fixar na Caverna sem algo para beber. Pode ser desde um simples copo de água, passando por refrigerante ou até mesmo um energético. Essa bebida é uma pausa mental que serve para colocar as coisas na cabeça de um nerd no lugar certo, para que ele continue fazendo seu trabalho: “O que foi que eu acabei de fazer mesmo? Pra que serve isso? O que eu queria dizer?” [bebida] “Certo, de volta ao trabalho.”
  • Um layout bem definido. O nerd tem um grande conhecimento sobre o layout de sua Caverna. Todo mês, quando a faxineira resolve limpar a casa ele precisa parar por 30 minutos e então reajustar a posição das canetas, dos papéis, do monitor e de tudo mais. Claro, é ótimo que alguém esteja limpando tudo isso, mas o nerd prefere que NÃO TOQUEM NAS COISAS DELE.
  • Uma bela vista. Como a bebida, a vista é uma pausa mental, uma rota de escape para um lugar qualquer que dá uma breve alteração de perspectiva. É por isso que qualquer um em um escritório quer uma janela. Não é status, é um escape.

É um nome sinistro: Caverna. Se refere à um lugar escuro e estranho onde a qualquer momento você pode ser engolido por um monstro qualquer. Mas na verdade o propósito da Caverna não é isolar, e sim germinar. Vou explicar.

A Zona

Cada manhã de um final de semana, o processo do nerd é basicamente esse: Ele acorda, vai até o escritório, senta no computador, e vê o que está acontecendo no planeta. Uma vez que ele descobre que o céu não está caindo, ele vai até a cozinha, pega um pouco de pó de café e deixa a água fervendo. Enquanto a água está fervendo, ele volta para o computador e faz o que quer que seja que venha na mente dele. Pode ser algo sobre o Aquecimento Global ou até algumas opções de compra de celular. Olha só, a LG não presta. Por quê será… A água está fervendo! De volta para a cozinha, onde ele coloca o café em seu copo preferido. Ele precisa ficar parado por alguns minutos, o que significa, de volta para o computador! Certo, por quê os celulares da LG não prestam? Poucas funções? Design ruim? Um pouco dos dois, na verdade. O café está pronto, entao mais uma viagem para a cozinha para pegar o café e então, novamente, de volta para a Caverna.

Pra quem vê de fora, parece uma trabalheira, mas é algo instintivo. É uma rotina que tem apenas um propósito – entrar na Zona. O que é isso? É um lugar profundamente criativo onde a inspiração é construída. Tudo o que você considera como bonito, útil, ou divertido, vem de alguém que estava remexendo na Zona.

Uma vez que o nerd passou pela sua rotina matinal e entrou na Zona, ele está FORA DOS LIMITES. É sério. Invadir A Caverna e perturbar A Zona é o mesmo que ficar de pé na pré-estréia de Star Wars: O Império Contra-Ataca, pulando pela sala e gritando “DARTH VADER É O PAI DE LUKE SKYWALKER! DARTH VADER É O PAI DE LUKE SKYWALKER!”. Você não está apenas acabando com o humor do lugar, mas está acabando com um grande trabalho de criatividade. Pense sobre isso da próxima vez que você entrar numa Caverna com aquela pergunta inútil sobre quais sapatos você deveria usar.

Não, ele não vai atender o telefone. Na verdade, se o telefone puder ser ouvido significa que a Caverna está bem mal-planejada. E não, ele não vai escutar se você entrar e perguntar se ele quer sair hoje à noite. Nem da segunda vez. Isso não significa que ele esteja te ignorando, pois fazer isso significaria ter que usar preciosos ciclos do cérebro que ele precisa usar para A Zona… Ele REALMENTE não consegue te ouvir. Isso é o quão profundo ele está na Zona.

Não, ele não tem idéia de que já fazem quatro horas desde que ele fechou a porta e começou a digitar ferozmente. Realmente, a única coisa que ele sabe é: 1) quando o café acabou e 2) quando ele precisa ir ao banheiro.

Sim. Quando você consegue penetrar na Zona, existe uma chance de que ele seja um bundão idiota. Na verdade, ele pode até surtar.

O Surto

E é aqui que ele se arrepende.

Ninguém merece estar na posição de recebimento do Surto. Tudo o que você estava fazendo era ir vê-lo pra saber quando ele estaria pronto pois vocês combinaram de sair hoje. Mas, ele está na Zona e estava fazendo algo importante e QUEM É VOCÊ E O QUE VOCÊ QUER? O Surto é um brilho, uma voz elevada… algo feito para indicar que você ESTÁ IRRITANDO ELE com sua presença.

Não é justo, claro, mas pense da seguinte maneira: Se você andar até ele e dar um tapa no rosto dele, ele não vai pensar “Por quê você fez isso?”. Ele não vai perder tempo analisando a situação. O instinto será puro, primitivo e imediato: Ele vai te dar um tapa de volta.

A razão para essa reação irracional é um cérebro antiquado. Quatro milhões de anos atrás era uma vantagem no processo evolutivo responder à tapas o mais rapido possível pois eles provavelmente significavam que você iria ser comido vivo. Então, ao invés da reação do tapa passar por “Qual é a resposta mais racional?” ela vai direto para “Reaja imediatamente senão”. De alguma forma, O Surto tem a mesma reação. A invasão da Zona vai levar à esse ato primitivo que requer que o cérebro faça essas escolhas imediatas e irracionais.

Não é certo, e não é socialmente aceitável, e o nerd se arrepende das suas ações 30 segundos depois. Mas em 20 anos de nerdeza, a preocupação não foi acabar com O Surto, mas sim descobrir como controlá-lo.

O Lugar

Tente o quanto quiser, ele não consegue sempre entrar na Zona. Ele vai passar por todas as atividades padrões pré-Zona de seleção de música e bebida. Ele vai ajustar meticulosamente os cinco objetos essenciais em sua mesa e então irá começar a… jogar um MMORPG.

Esta não é A Zona… este é O Lugar. É bem parecido com A Zona em aparência, mas, mentalmente, é um mundo completamente diferente. Se A Zona é o fato de jogar a final do campeonato mundial de futebol, então O Lugar são as seguidas horas gastas em treino no dia anterior. Sim, ele está trabalhando, mas não está realmente construindo.

A regra é a seguinte: a sua pessoa pode interromper O Lugar com impunidade. Essa é a regra. Ele pode Surtar, mas se você o deixar quieto no Lugar assim como você o deixa trabalhar na Zona, você nunca o verá. Se você entrar no escritório para perguntar alguma coisa e ver polígonos coloridos girando e brilhando pela tela, você tem autorização para invadir. Enganos vão acontecer e você irá invadir A Zona pensando que é O Lugar, mas depois que ele se acalmar, ele terá que explicar a porque o que se parece com O Lugar é, na verdade, A Zona.

Outros Lugares

Nerds são recompensados por estrutura. Eles conseguem uma grande quantidade de dinheiro por gerar coisas tecnológicas úteis que funcionam. Claro, são artistas, mas é uma arte de padrões, repetições, estruturas e eficiência (e sem dúvida, sexy). Isso não deixa dúvidas que os lugares que eles constroem em suas casas ou em suas mentes são igualmente bem-definidos.

O risco nesses lugares é o mesmo risco em todos os outros lugares confortáveis. No conforto, eles se esquecem de que as coisas mais interessantes estão acontecendo lá fora.

 

(Com a ajuda de Tenko)





O Guia do Nerd

1 03 2008

Texto baseado pelo The Nerd Handbook, do blog Rands in Repose traduzido de primeira mão para vocês.

Já percebeu as pausas nas conversas durante o jantar? Os olhos fixos em algum ponto na mesa? Esse é o nerd pensando no seu próximo projeto. Porque um nerd precisa de um projeto para construir coisas, é o que ele faz! Provavelmente esse projeto não tem nada relacionado com seu trabalho pois o pensamento do nerd sobre o trabalho é algo tipo “Fui lá, já fiz”. Isso é uma comum falta de atenção dos nerds que veremos mais pra frente, mas o que importa mesmo é que temos que descobrir que grande novo projeto é esse que ele tem em mente…

Você, a companheira do nerd, já foi uma vez o projeto dele. Essa é a fase onde você recebe todo o tipo de atenção vindo dele, mas não se acostume pois isso vai passar, já que ele naturalmente vai acabar se focando em outro projeto.

Claro, ao invés de UM nerd, poderá ser também UMA nerd, mas como a grande maioria de nerds geralmente são homens, irei sempre me referir como “ele” por conveniência.

Entenda a relação do nerd com o computador. Um nerd é definido pelo seu computador, e você precisa entender o por que.

O problema é que a grande maioria das pessoas não sabe como um computador funciona e acaba pensando que é algo mágico. O nerd, ao contrário dessas pessoas, entende como um computador funciona. Intimamente. Quando você pergunta para o nerd por que está acontecendo tal coisa com o computador, ele sabe a resposta. Ele tem um modelo mental de todo o hardware e software do computador e sabe que essa mágica que a maioria das pessoas pensa que é, na verdade são zilhões de 0 e 1 correndo em alta velocidade pela tela. Ele entende tudo isso.

O nerd já baseou sua carreira e até a sua vida inteira no computador, e é tarde demais para mudar isso. Essa relação acabou mudando a forma de como ele vê o mundo. Ele acha que o mundo é um grande sistema que, com tempo e esforços suficientes, pode ser completamente conhecido. É uma frágil ilusão, mas reconfortante, e é o que dá forças para o nerd começar o seu dia.

O nerd tem problemas de controle. Ele vive em um ambiente monoespaçado. Enquanto as pessoas pegam fontes de formas extraordinárias para escrever alguma coisa, o nerd preferiu uma fonte monoespaçada por uma simples razão de praticidade. Fontes monoespaçadas têm sua largura fixa, e isso transforma o mundo num lugar onde coordenadas X e Y significam alguma coisa.

Esses problemas de controle significam que o nerd é muito sensível em situações drásticas de mudança, como uma longa viagem ou a mudança de emprego. São eventos que forçam o nerd a perceber que o mundo não é tão conhecido assim, e acaba quebrando a ilusão que ele tinha. E até ele conseguir reconstruir essa ilusão, ele irá agir erradamente. É por isso que…

O nerd constriu uma caverna para si mesmo. Já escrevi sobre A Caverna, me baseando no texto The Cave, do mesmo autor deste guia, mas aqui está o essencial. A Caverna foi especialmente projetada para permitir que o nerd faça a sua coisa favorita, que é trabalhar em seu projeto. Se você quer entender o nerd, observe bem a sua Caverna. Como está organizada? Quando ele costuma ir até ela? Por quanto tempo ele fica nela?

Cada objeto na Caverna tem seu próprio lugar e propósito. Até mesmo a tralha é meticulosamente planejada. Não acredita? Então pegue aquele envelope vazio que esteve largado do lado do monitor por algumas semanas e esconda-o. Te dou 10 minutos antes que o nerd saia da Caverna perguntando “Onde está o envelope?!”

A Caverna também é muito frustante para você pois a impressão que você tem é de que é um lugar que o nerd usa para se isolar do mundo, e você está, infelizmente, correto. Uma Caverna bem planejada é capaz de remover o nerd do mundo físico e colocá-lo firmemente em um outro mundo, virtual, completo, com todas as bugigangas que ele precisa. Isso se deve ao fato de que…

O nerd adora bugigangas e quebra-cabeças. A alegria que o nerd encontra em seu projeto é o fato de poder resolver e descobrir coisas. A cada parte do projeto que ele completa, ele recebe uma grande descarga de adrenalina. Toda profissão possui isso: o momento que você está um passo mais perto de terminar algo. Em vários empregos, é relativamente fácil perceber quando o progresso está sendo feito: “Olhe, pintamos as paredes! Agora só precisamos colocar as prateleiras!” Mas no mundo do nerd, o progresso é medido mentalmente e em códigos, algorítmos, eficiência, e pequenas vitórias mentais que não existem em um mundo real cheio de átomos.

Claro, existem outras maneiras para ativar essa súbita descarga de adrenalina que o nerd tem constantemente. É normal dizer que os nerds adoram video-games, mas não é disso que eles gostam. O vídeo-game é apenas mais um sistema onde o trabalho do nerd é descobrir quais são as regras que o definem, e então com isso, derrotá-lo. Sim, eles adoram o fato de ficar olhando para uma infinidade de polígonos se mexendo na tela, mas também conseguem a mesma diversão jogando Bejeweled, MahJong, ou até mesmo o Cubo Mágico. Isso se encaixa com o fato de que…

Os nerds são incrivelmente engraçados. O nerd passou a maior parte de sua infância sendo uma espécie de desertado devido à sua estranha afinidade com o computador. Isso criou uma base um tanto quanto diferente em sua mente que é a raíz de seu humor. Agora, combine essa visão diferente de tudo com os outros talentos naturais no nerd e você irá perceber que ele vê o humor como se fosse outro jogo.

Humor é um quebra-cabeça intelectual: “Como esse pequeno conjunto de cartas pode ser feito para maximizar o fato de tudo ser engraçado o mais rápido possível?” O nerd presta muita atenção em conversas para poder reconhecer um potencial fator de humor, e quando ele finalmente o escuta, ele furiosamente varre sua mente para encontrar algum conteúdo relevante de sua própria experiência para que ele consiga torná-lo engraçado o mais rápido possível.

Isso é confirmado pelo fato de que…

O nerd tem um incrível apetite por informações. Em breve, também irei falar sobre isso com mais detalhes, me baseando em outro post, N.A.D.D., desse mesmo autor, mas vamos ao básico.

Como que um nerd assiste TV? Provavelmente uma de duas maneiras. Primeiro, ele assiste TV acompanhado de sua companheira, onde os dois sentam e assistem à um único programa. Segundo, é quando ele assiste sozinho três programas diferentes ao mesmo tempo. É assustador. Você entra no quarto e lá está ele mudando de canal a cada 5 minutos.

“Como você consegue prestar atenção em tudo isso?” você pergunta. Bem, ele consegue. Na verdade ele já assistiu à esses três programas… várias vezes. Enquanto ele assiste à um show, ele sabe o que está acontecendo nos outros dois e está mentalmente editando sua própria versão do programa enquanto isso, preenchendo os espaços em branco. Essa jogada de mente fascinante é a mudança de contexto, e o nerd é o rei da mudança de contexto.

Essa habilidade de instantaneamente mudar o contexto vem de uma vida na frente do computador, onde o modelo de informação mental do nerd para o mundo está contido num espaço limitado de pequenas janelas, onde a ferramenta mais importante é aquela que permite o nerd trocar facilmente de uma janela para outra. É completamente irrelevante de que essas janelas tenham algo em comum ou não. O nerd está acostumado em dar grande saltos de contexto quando ele está conversando com um amigo em uma janela, pesquisando preços de um aspirador de pó em outra, e pesquisando sobre Buracos Negros em outra.

Você pode suspeitar que, dado um mundo onde o contexto está constantemente mudando, o nerd não consegue se concentrar. Você está quase correto. Toda essa multi-tarefa não é eficiente. O nerd sabe muito pouco sobre muita coisa. Para muitos assuntos, o conhecimento do nerd são dois centímetros de profundidade e cinco quilômetros de largura. E ele fica confortável com esse fato pois ele sabe que um pedaço a mais de conhecimento está a um simples clique de distância. Isso porque…

O nerd construiu um irritante filtro de informações relevantes em sua cabeça. O dia está acabando e você e o nerd estão sentados no sofá. A televisão está desligada, não existe computador por perto e você está fazendo um resumo diário de suas atividades para o nerd: “Passei uma hora no banco tentando arrumar o problema com o seguro e então fui até o chaveiro para tirar a cópia da chave e ele estava fechado. Acredita nisso?”

E o nerd responde: “Legal”.

Legal? O que é legal? Passar uma hora no banco? O chaveiro estar fechado? Como que isso pode ser legal? Nada disso é legal! Na verdade, tudo isso até pode ser legal, mas o nerd acredita que tudo o que você está dizendo é irrelevante. O que ele escutou foi “Passei uma hora no banco e …ZZ….blabla….”

Você está certo em ficar com raiva do nerd, isso foi incrivelmente rude, mas sério, você precisa entender isso. A busca constante de informações do nerd e as constantes descargas de adrenalina transformaram o cérebro dele de uma maneira bem interessante. Para cada pedaço de informação que ele recebe, ele rapidamente se faz uma pergunta: relevante ou irrelevante? Ser relevante significa que esse pedaço de informação se encaixa no atual sistema de coisas que seu nerd está se importando. Espere um envolvimento ativo da parte dele se você atingir a chave de informação relevante. Se você atingir a chave de informação irrelevante, procure pela palavra que indica seu julgamento de irrelevante. É aquela palavra que ele diz quando não está escutando, e é sempre a mesma. Na maioria dos casos é “legal”, então quando você escutar “legal”, significa que ele não está escutando.

Informação que ele classifica como irrelevante é quase que imediatamente descartada e esquecida. Estou falando sério. Da próxima vez que você escutar “legal”, tente perguntar “O que eu acabei de dizer?”. Aquele sorrisinho estranho no rosto do nerd é o primeiro passo para ele entender que ele é o problema na conversa. Esse comportamento é uma das razões que…

O nerd pode parecer não gostar de pessoas. Uma curta conversa. Aqueles primeiros cinco minutos quando duas pessoas são forçadas a se interagirem. Essa curta conversa é uma combinação de aspectos do mundo que o seu nerd odeia. Quando ele está olhando para um desconhecido, tudo o que ele está pensando é “Eu não tenho um sistema para entender essa estranha pessoa na minha frente”. É daí que vem a timidez dos nerds, e é por isso que eles não gostam de se apresentar em público. As habilidades para isso estão lá, mas elas não tem um sistema bem definido para poder agir.

Como modificar um nerd

Se você ainda está lendo, significa que você deve gostar muito de algum nerd por aí. Mesmo que ele se isole por horas, tenha um estranho senso de humor, não gosta que toquem nas coisas dele, e muitas vezes não escuta nada que você está dizendo à ele, você gosta dele. Vai entender.

Algumas dicas:

Transforme as coisas que ele não se dá bem, em coisas que ele se dá bem

Você adora viajar, mas o seu nerd prefere se esconder por horas em sua caverna em busca da descarga de adrenalina? Então você precisa convencê-lo de duas coisas. Primeiro, convença-o de que você irá recriar sua caverna em seu novo lugar. Você irá criar um lugar quieto, escuro, onde ele pode se orientar e descobrir para que lado a água gira privada abaixo. Tente deixá-lo alguns dias em um lugar quieto no começo de uma viagem, ou deixe-o ficar deitado na cama por metade do dia até arrastá-lo para fora.

Segundo, e o mais importante, você precisa lembrá-lo de sua constante fome por novas informações. Ajude-o a entender que não há coisa melhor do que acordar num hotel com vista montanhosa na Alemanha sem falar uma palavra de Alemão sequer.

Torne isso um projeto

Você pode ter notado a estranha relação entre o nerd e a comida. Ele come rápido? Digo, muito rápido? Então você sabe o que está acontecendo aqui. Comida é classificada como irrelevante porque está entrando no caminho do contexto. Exercício também. O fato é, você quer que o nerd viva por mais 30 anos de uma maneira saudável, então como você muda esse comportamento? Você faz da dieta e do exercício um projeto.

Uma significante mudança de comportamento só irá ocorrer se o nerd entrar de corpo e alma no projeto, senão irá ser apenas mais uma coisa irrelevante.

Pessoas são o conteúdo mais interessante por aí

Se você conhece um nerd extremamente tímido, tente isso: pergunte-o quantos amigos ele tem na lista de amigos. Quantos amigos no Orkut? Contatos no MSN? AIM? Eu aposto que o nerd interage com pessoas dez vezes mais do que você imaginava. Ele pode fazer isso porque a interação é via um sistema que ele entende e conheçe – o computador.

O nerd sabe que as pessoas são interessantes. Só porque ele não consegue olhar direto no olho das pessoas não significa que ele não quer saber o que faz elas rirem, mas você precisa agir como intermediário – um tradutor. Você precisa encontrar um assunto em comum entre a pessoa e o nerd e então ele irá participar pois encontrou algo relevante.

O próximo passo

Assim que você descobrir que você é o projeto de algum nerd, toda sua atenção estará voltada para você, mas isso irá parar. Uma vez que um nerd acredita que ele conhece como um sistema todo funciona, o desafio para entender deixará de existir e ele irá em busca de um novo projeto.

Enquanto eu não sei quem você é, nem porque diabos você escolheu um nerd como companheiro, eu sei que você não é um sistema completamente conhecido. Eu sei que você é estranha, assim como o seu nerd. Mas ser você mesma irá ser mais que o suficiente para apresentar desafios novos e interessantes para o seu nerd.

Além do mais, é também o trabalho do nerd descobrir como você funciona e talvez alguém em algum lugar esteja escrevendo um artigo sobre suas atitudes particulares. Boas novas, ele provavelmente está lendo isso neste momento.

(Lembrando que pode ser tanto UM nerd quanto UMA nerd)