Aquecimento Global

12 03 2008

Hoje na faculdade, eu tive que apresentar um trabalho sobre Aquecimento Global numa disciplina chamada Metodologia do Trabalho Científico. Até aí tudo bem, se eu não fosse praticamente o único que falou alguma coisa do grupo de 38 (sim, trinta e oito) pessoas que estava lá para defender o ponto de vista do sujeito de nome Luiz Pinguelli Rosa. Era o seguinte:

Na última aula o professor resolveu passar um tal vídeo de um debate entre esse cara mal-humorado de sobrenome Azevedo (não me lembro do nome do cidadão) e o Luiz Pinguelli Rosa. Depois do vídeo de 20 minutos mal ripado do YouTube, eis que o professor resolve dividir a sala de 76 alunos em dois grupos (por isso o grupo enorme de 38), e então subdividi-los em outros 3 grupos: dois de 13 e um de 12. O meu foi o de 12. Certo, então o que faríamos? Ah, claro, defenderíamos o Luiz Pinguelli num debate que aconteceria entre os alunos na próxima aula. O quê?! NA PRÓXIMA AULA? Ah, fazer o que… 😛

O grupo se reuniu duas vezes para preparar todo o trabalho e decidir quem iria ser o “representante” para falar lá na frente. E adivinham quem foi escolhido por quase que unanimidade? Eu! 😄 Tudo bem, estou querendo treinar a maneira como me apresento em público mesmo (não perguntem porque, nem eu sei responder)…

Leituras e mais leituras durante o final de semana inteirinho, e, aproveitando a nova banda larga, vendo longos documentários do Discovery Channel pelo YouTube sobre o Aquecimento Global. Interessados? São 5 partes, cliquem para acessar: Parte 1Parte 2Parte 3Parte 4Parte 5. Muito didático, eu recomendo! Depois eu também aproveitei para ver outros vídeos… (Nada pornográfico, bando de tarados 😉 )

Beleza, acho que estou pronto! O dia da aula chegou e lá estava eu, no fundão de uma sala anfi-teatro, fazendo uma leitura dinâmica em 20 papéis diferentes simultaneamente enquanto a minha vez não chegava. Até que o professor disse: “Agora, o pessoal defendendo o Luiz Pinguelli Rosa, levantem a mão!” e eu resolvi olhar pra frente. E…

Onde estão as mãos?

Pff, quem disse que o povo levantou a mão? Acho que umas duas pessoas no máximo, daquelas 38 do grupo, levantaram a mão. “Ah não, eu vou ganhar a minha nota, sim senhor” pensei, e então, eu levantei a minha mão o mais alto que pude e consegui a atenção do professor. Permissão para falar!

E lá estava eu, tentando lembrar dos pontos principais do textos e não gaguejar ao mesmo tempo enquanto 75 alunos e um professor olhavam diretamente pra mim. God, não pensei que estaria tão quieto. “Alguém faça um barulho para eu poder respirar peloamordedeus”. Infelizmente, ninguém fez barulho algum. Era só eu e eu mesmo na sala, falando.

Tá no inferno, abraça o capeta, não é mesmo? Então eu resolvi falar tudo de uma vez sem dó nem piedade, usando todo o potencial o meu diafragma para que minha voz conseguisse ecoar por toda aquela sala gigantesca. Por um momento, minha voz me fez parecer mais velho e maduro do que o normal: sinal de que o truque do diafragma estava funcionando e o motivo de estar tudo tão quieto. “Estão prestando atenção em mim! Estão prestando atenção em mim!” pensava, enquanto relia mentalmente tudo de novo.

Um branco, merda! Rápido, preciso encher linguiça. Droga, não consigo me lembrar de mais nada!!! Argh, cartada final: “E essa foi basicamente a conclusão do nosso estudo” eu disse, numa tentativa de finalizar o discurso. Droga, má hora pra isso acontecer. Felizmente, consegui me lembrar de mais coisas quando o professor perguntou se alguém mais queria completar o meu dicurso. Ao perceber que ninguém iria dizer alguma coisa eu resolvi erguer a mão novamente dizendo: “Professor, se ninguém mais for completar eu mesmo prefiro colocar algumas outras idéias em discussão.” Grande jogada! Lá estava eu falando mais e mais e garantindo a minha parcela de nota no final da aula! 😀

Acabei, finalmente! Nem eu mais me aguentava de tanto falar, então eu imagino o resto do povo dentro da sala praticamente pedindo pra acontecer algum tipo de explosão estranha do lado de fora só pra arranjar uma desculpa pra poder sair. 😀

Final de aula, acabou o trabalho! Posso já esquecer esse assunto! Ou não… De tanto ler e assistir coisas à respeito desse assunto, eu acabei até querendo saber mais e mais. Eu não concordava totalmente com o tal Luiz Pinguelli Rosa que eu era obrigado a defender. Muitas coisas que ele diz não estão certas (na minha opinião) e que eu prefiro o ponto de vista do outro sujeito. Na verdade, eu acho que os dois estão tão certos quanto errados nesse caso. Minha opinião é uma mistura dos dois, de fato. Mas o que chamou mesmo a minha atenção durante as pesquisas é que o Aquecimento Global realmente está acontecendoObservem as imagens abaixo, retiradas da reportagem da VEJA:

AlaskaAntes

Vista panorâmica de região montanhosa do Alaska, em 1941.

AlaskaDepois

Em 2004, o mesmo ponto do Alaska apresenta uma paisagem muito diferente: o piso de gelo transformou-se em lago.

ParqueAntes

O documentário “Uma verdade inconveniente”, que contou com participação do ex-presidenciável americano Al Gore, traz essa imagem do Parque Glacial Nacional dos Estados Unidos, em 1932.

ParqueDepois

Após 56 anos, já é possível perceber a diminuição na quantidade de gelo no mesmo ponto do Parque Glacial Nacional.

KilimanjaroAntes

O Monte Kilimanjaro, na África, em 1970.

KilimanjaroDepois

O mesmo ponto do Kilimanjaro 30 anos depois.

CordilheiraAntes

A parte peruana da Cordilheira dos Andes 20 anos atrás.

CordilheiraDepois

O mesmo ponto dos Andes peruano atualmente, com menor cobertura de gelo.

Eu acho que chegou a hora de fazermos algo sobre esse problema, concordam? 😉