Essa passou perto…

29 10 2008

Estou na faculdade segurando uma raiva e acabei de ler esse post do meu grande e fiel amigo Ariel. Caiu como uma luva e então resolvi compartilhar aqui mesmo com todo mundo. A raiva vai passar, é temporário, depois eu desabafo com alguém. Abraços…

A péssima mania de achar que é Deus

Faz algum tempo que não disserto algumas idéias intrínsecas no meu mundinho chamado mente. Confesso que as idéias andam fugindo de mim nesses últimos tempos. Talvez por causa do trabalho. Talvez por causa dos estudos. Ou ainda talvez por causa do assalto. Enfim, aconteceram (e ainda estão acontecendo) tantas coisas ultimamente que não tenho tempo pra fazer o que mais gosto: escrever.

Mas uma coisa que não posso deixar de dizer aqui é algo que realmente está acontecendo direto comigo. Sim, presencio cada vez mais as pessoas que cruzam o meu caminho acharem que são Deus. Até quando elas vão levar essa vidinha delas achando que são superiores e maiorais porque têm uma posição hierárquica maior? Bem, na minha humilde opinião, acho que essas pessoas deveriam abrir os olhos, pois a vida é curta. Sim, um dia ela morrerá, e levará com ela esse orgulho, essa prepotência e essa arrogância para os vermes comerem. Sim, vermes, míseros vermes. E quando isso acontecer, milhares de pessoas pisarão – literalmente – em cima dela.

Bem, mas tem um lado positivo. Vendo essas pessoas, aprendo a não ser igual a elas. Aprendo a ver que quanto mais arrogante, menos querida será essa pessoa. Quanto mais orgulhosa, menos vai aprender, e, consequentemente, mais erros cometerá.

Pense duas vezes antes de pisar em alguém. Pense duas vezes antes de gritar com alguém. Pense duas vezes antes de humilhar alguém. Quanto mais mágoas você causar, maior será sua dívida. Sua consciência – se é que você tem uma – irá cobrar na hora certa, onde você se encontrará encurralado sem saber o que fazer. Só tome cuidado para não se matar, porque, se você é baixo a ponto de humilhar alguém só porque acha que é Deus, não duvido que seja baixo para tirar sua própria vida quando a coisa realmente apertar.

E uma novidade: ninguém te revenciará por imposição, mas sim por conquista. Portanto, não imponha respeito, conquiste-o.

Valeuzão Ariel! Depois te conto certinho como que esse post veio no momento exato pra eu não explodir aqui…

Fuiz…





Histórias da Vida: Um dia de luto…

25 10 2008

O caso Eloá mexeu comigo. Fiquei revoltado em como um cidadão de 22 anos consegue ser tão infantil ao ponto de, ao terminar o namoro, ir lá e sequestrar a ex. Sério, isso não entra na minha cabeça. Me revoltei mais ainda quando fiquei sabendo que o infeliz atirou nela. E pior ainda quando veio a notícia da morte. Alguns amigos que eu estava conversando no MSN presenciaram meu momento de raiva e ódio desse animal no momento da notícia. Ninguém, eu repito, ninguém tem o direito de tirar a vida de outra pessoa! Só Deus! E de 15 anos ainda? Ela tinha tanta coisa pra fazer na vida ainda, tanta coisa pra ver, tanta coisa pra dar risada, se divertir, tanta coisa pra VIVER ainda!

Mas por que eu fiquei tão encucado com isso, vocês perguntam? Porque eu sei como é perder um amigo de um dia pro outro. Sei como é um dia a pessoa estar ali, dando risada com você, e no próximo você ter que engolir que nunca mais vai ver nem conversar com aquela pessoa novamente. Sei como é ter que olhar nos olhos da mãe dessa pessoa depois e, mesmo sem saber o que falar, ter que dizer algo reconfortante. E é disso que eu vim falar aqui hoje.

Mesma coisa do caso Eloá: primeiro ano do colegial, escola pública, 15 anos. Manhã fria, preguiça de ter que levantar às 5h50 da manhã pra me arrumar e ir para a escola. Mas fui mesmo assim. E desejei nunca ter ido.

Chegando lá, um grupo de pessoas se aglomerando ao redor do mural da escola. Nunca tinha visto tanta movimentação por ali antes. E antes que eu pudesse chegar perto pra ver o que estava acontecendo, eu a vi.

Carina, uma amiga minha da escola, estava vindo na minha direção. Eu dei um sorriso pra cumprimentar, mas nunca recebi um de volta. Chegando mais perto vi que seus olhos estavam vermelhos e seu rosto molhado. Antes que eu pudesse perguntar o que tinha acontecido, ela disparou: “O Edward morreu.”

A ficha não caiu. As palavras entraram por um ouvido e saíram por outro. Meu cérebro simplesmente não assimilou essas três últimas palavras que eu acabara de ouvir. Com uma expressão perplexa na minha cara, ela tornou a repetir. Era mentira. Só podia ser. Primeiro de abril talvez? Não, não era. Mas não podia ser verdade. Precisava ver com meus próprios olhos, então corri para o mural, atropelando qualquer pessoa que entrasse no caminho.

E lá estava o aviso. Com o nome dele. Vítima de atropelamento, traumatismo craniano.

E eu fiquei parado, boquiaberto, olhando pro aviso. Reli diversas vezes, na esperança de que meus olhos fizessem as letras ali escritas mudarem de formato de alguma maneira, mudar o que estava acontecendo, o que tinha acontecido…

Olhei pra trás… O Jorge, outro amigo meu, estava lá, também com os olhos vermelhos. Eu, a Carina, o Jorge, e o Edward formávamos um quarteto de amigos amplamente conhecido dentro da classe e da escola. Mas, de repente, não éramos mais quatro. Estava faltando um. Viramos um trio da noite para o dia. Não dissemos nada. Nos abraçamos e ali ficamos, quietos, enquanto a realidade batia na porta de cada um de uma forma violenta.

A inspetora chegou, e, vendo a muvuca provacada na frente do mural, mandou todo mundo pra sala. E nós fomos. Chegando lá, o professor de Química, um sujeito que admiro muito, entrou na sala e mandou todos abrirem os cadernos. A sala, em completo silêncio, obedeceu. Eu não estava acreditando que ele iria passar matéria numa situação dessas, quando ele falou: “Quero que vocês façam uma carta destinada ao amigo de vocês. Essas cartas serão entregues amanhã para a mãe dele, que estará presente aqui na escola daqui a uma semana, que é onde vai ser feita a missa de sete dias dele. Podem começar.”

E foi só aí que a ficha caiu.

E eu chorei. Muito. Estava trêmulo, minha cabeça não funcionava direito, não conseguia escrever nada. Soluçando, eu olhava pro pedaço de papel na mesa e voltava a chorar. Isso não era normal, isso não é certo. Como pode um sujeito de 15 anos, que nunca fez mal pra ninguém, morrer de uma hora pra outra? É errado, não está certo! Os pais não devem enterrar seus próprios filhos! Eu não me conformava, não conseguia entender.

Acho que nem quando meu avô morreu eu fiquei tão mal. Com ele, foi mais natural, velhice e câncer, eu já estava mais preparado, já era algo esperado. Claro, foi um puta baque pra mim e fiquei quase uma semana sentindo a perda dele, mas um sujeito de 15 anos? Do nada? Não… isso estava errado, não era assim que tinha que ser…

Mas foi, e mais cedo ou mais tarde eu tinha que aceitar. Foi difícil. Imagens dos dias anteriores não paravam de surgir na minha cabeça. Todo mundo no pátio, dando risada… Me lembro que ele vivia cantando uma música do filme do South Park… Filme que eu ainda não tinha visto e, quando finalmente fui ver, me trouxe lembranças dele.

Não tenho nenhuma foto com ele pra guardar de lembrança, apesar de que não é necessário… A memória faz um ótimo trabalho. Memória fotográfica ainda… Apesar de que, essas são algumas das cenas que eu gostaria de esquecer, momentos tristes… Quem dera eu só lembrasse dos momentos alegres e felizes!

Bom… deixo esse post aqui pro pessoal que for ler saber que, apesar de não parecer, tudo pode mudar de um dia pro outro. Mas o tempo cura qualquer mal, mesmo que deixe algumas marcas em alguns casos… O Histórias da Vida está aí pra isso: passar experiências, sejam boas ou ruins, para o pessoal que esteja lendo… Pois experiência nunca é demais, e é com elas que a gente aprende.





Psiu…

23 10 2008

Uma coisa engraçada aconteceu hoje… Parece bobo, mas chamou a minha atenção… No campus da minha faculdade também tem uma escola de ensino médio, que é da mesma instituição mantenedora da faculdade. Logo, universitários de ensino superior e estudantes de ensino médio vivem se encontrando pelo campus. Pois bem…

Lá estava eu, saindo da faculdade com mais 3 amigos, em direção à portaria. Era meio-dia e pouco, horário de saída do ensino médio, logo, muitas mães estavam indo buscar seus filhos… Ou filha, nesse caso.

Andando, eu olhei pra dentro de um carro. De todos os carros estacionados ali, eu olhei pra um. Dentro, uma mãe, loira, no volante. No banco do passageiro, sua filha. Olhei pra ela, era bonita, altura mediana, cabelos longos, soltos e pretos (ou talvez castanhos?), gostei. E ela olhou pra mim também. Nos encaramos um pouco antes de voltar o olhar pra frente. Mas eu voltei a olhar pra ela. E ela também. Percebeu, e desviou o olhar… Mas, logo em seguida, olhou mais uma vez! Sim, não indica nada, mas mesmo assim é incomum uma pessoa encarar três vezes seguidas outra pessoa… Para não quebrar o pescoço, voltei a olhar pra frente (estava andando).

E então escutei…

 

Psiu…

Psiu…

 

Parei, olhei pra trás. Ela estava lá, com a cabeça pra fora do carro, olhando pra mim. Quando viu que eu me virei, tornou a entrar com a cabeça pra dentro do carro de novo. Vi uma agitação entre ela e a mãe, quando escuto: “Vai lá, cara!” me diz um amigo.

Mil pensamentos na minha cabeça: “Ir? Como? E falar o que? E quanto à mãe dela?”. Mas resolvi ir. Só que, ao dar o primeiro passo, duas crianças menores chegaram correndo e entraram no carro. “Muita gente.” pensei, e desencanei. Voltei a seguir meu caminho. E foi então que percebi…

Deveria ter ido mesmo assim…

Estou aqui em Lins faz 1 ano e 8 meses e nunca fiquei com ninguém daqui. Só de São Paulo, quando vou pra lá. Mas, com emprego aqui agora, minhas idas pra cidade grande vão ficar cada vez mais raras, então quero mesmo é arrumar alguém daqui da região. E, quando finalmente, uma garota bonita vem e me dá bola, só porque tinha muita gente com ela, eu não fui conversar… Pois é, acabei de mudar meu jeito de ser. De agora em diante, dane-se quem estiver em volta. Vou, e vou mesmo.

Eu sei, história boba… Mas me chamou a atenção. E sim, pretendo passar mais vezes por lá perto do meio-dia… Quem sabe eu num recebo uma segunda chance?

 

@ Makes Me Wonder – Maroon 5