Histórias da Vida: Os olhares que nunca esquecerei…

21 08 2008

Eu não sou uma pessoa de brigas, sério. Quem me conhece sabe disso, e graças ao meu físico inigualável, estou mais propício a levar socos do que dar socos. Mas isso não significa que eu vou simplesmente aceitar uma situação em que não concordo e não fazer nada para mudá-la. Claro, na maioria das vezes, elas podem ser resolvidas civilizadamente, mas sempre existem pessoas nesse mundo que resolvem não ter um senso comum básico, e a única arma que temos contra essas pessoas é a mais pura das ignorâncias.

Sim, vou contar uma história que aconteceu comigo em meados de Junho de 2006, quando eu ainda freqüentava o 3º Ano do Ensino Médio na Escola Estadual Ministro Costa Manso.

Junho, época de Festa Junina, último ano do Ensino Médio. Quem já passou por isso sabe que essa é a melhor época pra zuar, e zuar de verdade mesmo! E foi o que resolvemos fazer, com uma quadrilha de papéis invertidos: homens vestidos de mulher, e mulheres vestidas de homem. E, naturalmente, uma boa quadrilha precisa de um bom ensaio. E foi o que aconteceu nas semanas anteriores à festa.

Meu par era uma grande amiga minha (não vou citar nomes), mas infelizmente ela estava passando por alguns daqueles maus momentos da vida que temos. E ela não estava feliz. Depois de muito conversar com ela e de tentar animá-la, eis que eu consigo fazê-la topar de dançar na quadrilha. Maravilha, não?

Pois então, ele surge… Um sujeito que prefiro não dizer o nome (quem viu sabe quem é) resolveu dançar também. E eu não suportava ele. Aliás, não só eu, como todo mundo ali também não suportava a mera presença dele. Mas tudo bem, afinal, ele é aluno matriculado, possui os mesmos direitos de todos ali, e pode muitíssimo bem querer dançar ou não na quadrilha. Justo. E os ensaios começaram, semana após semana, tentando encaixar passo atrás de passo, movimento atrás de movimento. Tudo corria bem, até aquele fatídico dia.

Ela estava mal. Havia acontecido algo naquele dia com ela, e ela não estava bem psicologicamente pra poder ir dançar. Como bom amigo que sou, fui conversar com ela, trocar uma idéia, confortá-la e finalmente consigo fazer ela topar ir no ensaio só pra dar um pouco de risada (afinal, era muito engraçado ver aquele monte de marmanjo dando uma de bicha louca) e tirar esses problemas da cabeça, se sentir melhor.

Mas, mesmo assim, ela não estava concentrada, e errava freqüentemente os passos.

Foi quando o sujeito que não suporto começou a falar um monte, por exemplo:“Porra, Fulana, olha o que você tá fazendo, se toca!” ou até “Fulana, pára de errar, caralho!”. Naturalmente, o ânimo dela foi caindo. A pior coisa pra uma pessoa que está se sentindo pra baixo, é ser levada mais pra baixo ainda. Eu percebi o que estava acontecendo e que ela havia parado de dar risada. Estava séria, e eu não gostei. Mas até aí, eu estava só na minha, esperando pra ver se o sujeito iria se tocar.

Mas não, ele resolve lançar mais uma: “Caralho Fulana, vai tomar no cu! Você é burra, num sabe dançar não?”. E ela não agüentou. A última coisa que vi foram seus olhos vermelhos, antes de ela virar as costas e sair andando pra fora do pátio.

E aí, eu também não agüentei.

Foi automático: na mesma hora, eu parei de dançar, atravessei a roda até onde o sujeito estava, punho fechado. Quando ele me viu já era tarde, e não teve tempo de reagir: soquei a mão na gola dele, levantei no ar (não me pergunte de onde veio tanta força, mas ela veio), e o prendi contra a parede mais próxima. Comecei a falar um monte pra ele, o pessoal começou a olhar, a música havia parado. Nunca havia falado tão sério assim com alguém antes. Estava pouco me lixando se a galera tava olhando ou não, estava pouco me lixando em atrapalhar os ensaios, estava pouco me lixando se iria tomar algum tipo de advertência ou não. Mas alguém precisava ensinar pra esse infeliz um pouco de bom senso. Aliás, considerava essa minha amiga como uma quase-irmã pra mim já, não podia deixar barato:

“Muleque, você é demente? Tem problema? Tu não tá vendo o estado da garota, tu não tá vendo que ela tá mal? Olha o que você fez agora! OLHA O QUE VOCÊ FEZ! Você NÃO sabe o que tá acontecendo, você NÃO sabe pelo o que ela passou! Custa ter um pouco de bom senso e PENSAR um pouco antes de sair por aí falando merda pra qualquer um? SE TOCA, PORRA!”

E joguei ele pro lado. Ele ficou me olhando, perplexo. Simplesmente não acreditava no que eu acabara de fazer. E não foi só ele.

Olhei em volta, foi quando eu percebi que era o centro das atenções. Todos os olhos estavam voltados pra mim. Meus pulsos estavam tremendo e eu estava completamente nervoso. Sem saber o que fazer, eu simplesmente larguei o sujeito no chão, me afastei até um banco e sentei.

Algumas pessoas cochicharam, resmungaram, outras até deram uma risadinha. Mas alguns poucos amigos fiéis que estavam em volta, foram até mim. Eles nunca haviam me visto nervoso uma vez sequer, em anos de convivência, e lá estava eu, com os punhos tremendo ainda, sangue nos olhos, ainda não acreditando como uma pessoa poderia ser tão retardada e insensível.

“Você está bem?”, uma outra amiga me perguntou. Eu olhei pra ela, e no momento que eu fiz isso, ela deu um passo pra trás. O olhar que eu nunca vou me esquecer: ela estava com medo de mim, eu estava assustando meus amigos. Foi quando eu percebi que eu deveria começar a pensar em relaxar, pois, se até meus melhores amigos da escola resolveram dar um passo pra trás só de trocar olhares comigo, significava que eu realmente NÃO estava emanando uma energia muito agradável.

A última coisa que eu queria naquele momento era espantar meus amigos, então eu respirei fundo, e, fazendo um grande esforço para a minha voz parecer a mais normal possível, eu respondi: “Estou, estou sim… Daqui a pouco eu melhoro…”. Foi quando o meu par voltou, e eu não agüentei e fui abraçar ela. Só me lembro de ter escutado um “Obrigada” enquanto eu tentava me desculpar.

O ensaio continuou depois disso, e, naturalmente, o sujeito não olhou nenhuma vez mais na minha cara, e nem disse mais uma palavra o resto do dia. Ele nunca mais se dirigiu à mim ou à minha amiga pra falar sobre a quadrilha, e todos os outros dias, nos intervalos, quando eu cruzava o olhar com o dele, ele imediatamente olhava pra baixo. Pelo menos até o último dia de aula, quando ele veio se desculpar.

 

Sim, essa história é real, e aconteceu comigo. Foi algo que me marcou, não pela briga, mas pelo medo que eu via refletido nos olhos dos meus amigos: medo de mim! Esses olhares me marcaram de tal forma, que eu nunca mais quero vê-los novamente na vida.


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6 responses

21 08 2008
m4kin

isso é algo que eu considero natural, agora fico pensando se realmente esse cara fez tudo isso, conheço mta gente que qdo ta afim de uma guria, ouve oq nao acontece só pra justificar coisas impensadas, e nao adianta falar q ela era só amiga, pq mtos desses tb dizem q é só isso…

infelizmente nunca saberei😄, mas axei interessante a historia

21 08 2008
Henrique Miraldo

HAUHUAHUAHAU
Nao vou negar q nunca senti algo “a mais” por ela, mas nunca nada aconteceu entre a gnt… Mas o sujeito sempre foi folgado mesmo, isso eh fato! xD

24 08 2008
Tuago

iaew veiOO Curtii O assunto Man ..

D+ Aew . Mee deu Uma Forçaa ma , minha Humilde Vidaa

rererer

abraÇoo aew !!! Fica com Deus

30 08 2008
Vinicius

WO….sei bem como é querer socar um maluko q nao se toca, q de alguma forma te leva a fazer uma loucura q nem vc sabe de onde vem….. muito massa o tema….parabens pelo site

2 10 2008
ARiEL

É, eu lembro disso…
Mas quando eu lembro de outras coisas que aconteceram comigo, e que foram bem parecidas (vc deve lembrar), não sinto mais tanto remorso. Foi uma experiência.

E se eu pudesse voltar no tempo, mesmo com meus amigos com medo de mim, eu socaria algumas caras. Socaria mesmo. E depois me entendia com meus amigos, afinal de contas, eles eram meus amigos, né?

Eu entendo, é algo inesquecível. Mas ao mesmo tempo é passado. Normal.

10 11 2008
Mariana

Huahauha nossa colegaaa!!!
Consegui sentir sua raiva daqui!! ô_ô
E até consegui imaginar seu olhar, a sua expressão… sei lá, deve ser o jeito que você escreve caraaa… é realmente envolvente!! Como c consegue!!??
Mas não se culpe por isso… pois mesmo que você e seus amigos não tenham mais conversado sobre isso, eu acredito que eles entenderam sim… e talvez o olhar que para você pareceu medo, tenha sido apenas espanto… o espanto natural de presenciar uma cena inesperada, inimaginada… e quando então o pensamento volta e se organiza, aposto como esse espanto se transforma rapidinho em uma admiração, porque são poucos os que tomam atitudes como a sua (não de enfrentar alguém, mas de enfrentar com um motivo sinceramente significativo).
Se você tivesse batido no cara, você perderia a razão, pois não tinha esse direito… mas você disse o que precisava ser dito, e, como você mesmo observou depois, isso gerou um respeito do cara por você e pela sua amiga…
E agora um olhar de admiração uns 3 anos atrasado:
*-*
(huahauahua, e tem como expressar isso com “emotions”??? hauhauahua você me entendeu vá! =P)

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