[Inestórias] O dia que o pau comeu solto

31 08 2008

Olá, meus queridos! Como vão??

Essa semana eu precisei de ir até a Avenida Paulista recolher uma documentação em um banco lá. Coisas do serviço, sabem como é. Estava um dia comum, o sol brilhava atrás de algumas nuvens e as pessoas berravam em mais uma passeata costumeira. Estávamos eu, o Ricardo e o Jenival. Chegamos ao banco e estava aquela fila quilométrica, cheia de gente suando, velhas, mulheres de cabelo ruim e chapinhado, homens gordos e com a camisa suja de tinta, office-boys, enfim! Povo bonito. Você tinha que ver. Povo bonito.

Como o nosso serviço ali não era ordinário, nem pegamos a fila. Fomos direto para o caixa pedir a autorização para entrar na administração. Acontece que antes mesmo de sermos atendidos, uma velha começou o murmurinho:

— Onde você tá pensando que vai?
— Eu vou… — ia dizendo, antes de ser interrompido pelo resto da fila em fúria.
— Lá pra trás, espertão! — gritou um homem.
— Não na minha frente! — foi a vez de uma empregadinha outra senhora.
— Cê tá loco, véi?! — gritou o motoboy.

Eu e meus colegas tivemos a pequena sensação de que seríamos linchados ali mesmo pelo povo em erupção. Foi então que chegou o gerente para acalmar a situação.

— O que está acontecendo aqui?!
— Nós somos da CATs! — disse o Ricardo, prontamente.
— Ah, por favor, me acompanhem! — disse o gerente, nos levando para longe do ódio faminto e insaciável da multidão da fila que deveria estar ali por pelo menos umas 2 ou 3 horas.

Depois que fomos atendidos numa boa, pegamos o que nos pertencia e fomos almoçar. Enquanto almoçávamos, jogamos guerra de dedos, apostando um castigo para quem perdesse. E adivinhem: eu perdi. Tudo bem, o castigo que eles me deram foi chegar naquela montueira de italianos que se concentravam na frente do consulado e dizer umas frases que eu não sabia o significado. Idéia do Jenival. Vamos lá, tenho que cumprir, afinal de contas, segundo o artigo 2º do Código do Homem, “qualquer aposta ou promessa deverá necessariamente ser cumprida, com a pena de dúvidas sobre a masculinidade caso ocorra o contrário”.
Cheguei ali no meio da multidão italiana e gritei, para que todos pudessem ouvir:

— Ognuno è gaio! (É tudo bandibicha!)
— Andiamo battere in loro!! (Vamos pegar esse cara de pau!) — disse um deles.
— OGNUMO È GAIOOOO, PORRA!!! (É tudo queima-rosca, porra!)
— Andiamo bettere in loro!! Fillo de puta! (Vamo catá esse desgraçado de pau! Filho da puta!)

Quando eu dei por mim, estava correndo desesperadamente daquela multidão nervosa de italianos super machões e famintos por umas bofetadas na minha cara. E eu corria, balançando os braços e gritando “Ognumo è gaioooo!!”. Foi quando de repente a multidão começou a fechar as saídas da avenida, vindo de todos os lugares. É, os italianos são mais espertos do que eu imaginei: enquanto uma parte corria atrás de mim, a outra pegou um metrô até a próxima estação pra vir de encontro e me encurralar. É, me ferrei bonito. Consegui contar 34 mãos diferentes me batendo nos 198 primeiros socos que levei no rosto. Depois disso perdi a noção do que era a vida.

Vejo o lado positivo disso: peguei 1 mês de folga pela licença que o médico. Cheguei à conclusão de que o Ricardo e o Jenival, vendo que eu estava começando a ficar cansado, resolveram dar um jeitinho pra que eu tirasse umas férias. Isso é que é amizade!

No mesmo dia, felizmente, tive alta. Estava andando de muleta, com uma perna engessada, uma tala no dedo indicador direito, outra no mindinho esquerdo, outra no mindinho direito, duas no dedão esquerdo e uma no dedo do meio direito. Meu braço esquerdo estava deslocado e o direito quebrado. Mas peguei um mês de folga.

À tardinha, fui à lojinha de conveniências comprar algumas coisas pra comer, com a extrema dificuldade proporcionada pela muleta. Chegando lá, solicitei à única atendente que tinha lá, uma moça gorda, de cabelos louros e crespos e grandes, maquiagem forte e pele branca como de uma lagartixa, que me pegasse algumas coisas enquanto eu esperava. Foi quando uma outra mulher, de cabelo curto e crespo, baixinha, feição de invocada, bigode e sotaque bem puxado, chegou com uns pacotes na mão, jogou na cara da atendente e disse:

— Fica com essa merda! Não preciso de presentinhos seus, vaca!!

E saiu. A moça que estava me atendendo me disse com calma e simpatia:

– Moço, pode me dar um minutinho? Vou ali matar e já volto.

E saiu. Nesse momento eu gelei. Um grito no meio da rua e vários sons de socos, tapas, chutes, mordidas, puxões de cabelo e tudo mais começaram a soar lá na rua. E eu ali, com uma dificuldade imensa de me mexer. Infelizmente não vi a cena, porque quando eu cheguei a polícia já estava no meio, tentando fazer a atendente da lojinha parar de socar o ex-nariz da outra vagabunda. Dois minutos conversando com os policiais antes de voltar e dizer:

— Desculpe, moço! Vamos lá, vou pegar suas coisas.

Cheguei em casa um pouco transtornado, confesso. Era a primeira vez que vi tanto desejo por rolo de cabeças na minha vida. As pessoas pareciam mais que estavam em algum deserto sufocante e que o sangue alheio era uma grande garrafa de água infinita e gelada. Isso me fez entrar em uma pequena crise existencial durante alguns segundos.

Com aquela depressão toda, precisei assistir a algum filme para me acalmar. Foi então que eu liguei no único canal de filmes que funciona na minha tv à gato cabo. Para um dia de pura violência, nada poderia me fazer piorar. Estava nos créditos do filme que acabara de passar. Maravilha, vamos assistir um novo filme desde o começo. E qual era? “O Clube da Luta”.

Hoje estou um pouco melhor. A overdose de violência já passou. Espero que definitivamente, porque naquele dia eu me senti extremamente perturbado, com vontade de sair como um louco e socar a cara de todo mundo, igual fazem aqueles filhinhos de papai que vão pra balada só pra bater e arrumar confusão. Agora sei o que se passa na mente desses Pit-boys delinquentes juvenis. Eu estava muito querendo quebrar a cara do primeiro imbecil que aparecesse na minha frente, mesmo com o corpo todo quebrado do jeito que eu tava. Faço isso depois.

Pra finalizar, o último trote que atendi antes de pegar a licença:

EU: Alô.
SACANA: Aí, palhaço! Tô com tua filha aqui hein!
EU: Hum. Tá, vamos negociar. O que você quer?
SACANA: Eu quero grana! Um milhão pra começar.
EU: Um milhão?! Cara, pelo amor de Deus! Eu não tenho essa grana toda!
SACANA: Eu não quero nem saber! Vende seu carro, sua casa, pega os esquema do banco! Não quero nem saber, passa a grana, rapá!
EU: Mas tudo o que eu tenho é a minha filha!! Não tenho mais nada!
*grito de mulher no fundo* (confesso que os gritos estavam tão intensos e desesperados que até pensei se tratar de um trote real mesmo)
SACANA: Se ela é a única coisa que você tem, é melhor passar logo o dinheiro maluco! Tamo aqui com ela!
EU: Pelo amor de Deus! Não faça nada com ela!
SACANA: É melhor fazer tudo o que a gente tá falanu pra ninguém se machucar!
EU: A gente? Num tá só você aí?
SACANA: Eu, porra! Pára de graça, vai mano! Para de graça! Se tu quiser sua filha virgem ainda, é melhor fazer o que tamo falando, porra!
EU: Tamo? Num era só você? E bem… acho que minha filha vocês não devolvem virgem nem se quisessem. Afinal de contas, ela tem 3 filhos já.
SACANA: …
EU: Você não está com os meus netos não, né?
SACANA: Eu não, mas eles daqui a pouco tão aqui, maluco! Vai, anota aí!
EU: Anotar o quê?
SACANA: O que você tem que fazer, porra! Pra me dar o dinheiro.
EU: Mas e meus netos?
SACANA: Já fomos pegar, caralho!
EU: Mas eles moram na Alemanha!
SACANA: … puta que pariu, eu acho que é do esquema!
EU: Esquema? Que esquema?
SACANA: Você é dos homi!!!
EU: Dim-dim!! Certa resposta! Lombardi, o que ele vai ganhar?
SACANA: Fudeu! Corre, corre que os homi tão chegando!!

A operação não foi completamente bem-sucedida. Os policiais conseguiram prender 3 dos bandidos que participavam, mas o que estava falando ao telefone conseguiu escapar. Infelizmente.

Um grande beijo a todos vocês!!

Por: Ariel Salgado Nascimento.

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As Inestórias de Epiriquidiberto – De vez enquando, aqui na Vida de um Universitário e no Castelo de Marfim.





Histórias da Vida: Os olhares que nunca esquecerei…

21 08 2008

Eu não sou uma pessoa de brigas, sério. Quem me conhece sabe disso, e graças ao meu físico inigualável, estou mais propício a levar socos do que dar socos. Mas isso não significa que eu vou simplesmente aceitar uma situação em que não concordo e não fazer nada para mudá-la. Claro, na maioria das vezes, elas podem ser resolvidas civilizadamente, mas sempre existem pessoas nesse mundo que resolvem não ter um senso comum básico, e a única arma que temos contra essas pessoas é a mais pura das ignorâncias.

Sim, vou contar uma história que aconteceu comigo em meados de Junho de 2006, quando eu ainda freqüentava o 3º Ano do Ensino Médio na Escola Estadual Ministro Costa Manso.

Junho, época de Festa Junina, último ano do Ensino Médio. Quem já passou por isso sabe que essa é a melhor época pra zuar, e zuar de verdade mesmo! E foi o que resolvemos fazer, com uma quadrilha de papéis invertidos: homens vestidos de mulher, e mulheres vestidas de homem. E, naturalmente, uma boa quadrilha precisa de um bom ensaio. E foi o que aconteceu nas semanas anteriores à festa.

Meu par era uma grande amiga minha (não vou citar nomes), mas infelizmente ela estava passando por alguns daqueles maus momentos da vida que temos. E ela não estava feliz. Depois de muito conversar com ela e de tentar animá-la, eis que eu consigo fazê-la topar de dançar na quadrilha. Maravilha, não?

Pois então, ele surge… Um sujeito que prefiro não dizer o nome (quem viu sabe quem é) resolveu dançar também. E eu não suportava ele. Aliás, não só eu, como todo mundo ali também não suportava a mera presença dele. Mas tudo bem, afinal, ele é aluno matriculado, possui os mesmos direitos de todos ali, e pode muitíssimo bem querer dançar ou não na quadrilha. Justo. E os ensaios começaram, semana após semana, tentando encaixar passo atrás de passo, movimento atrás de movimento. Tudo corria bem, até aquele fatídico dia.

Ela estava mal. Havia acontecido algo naquele dia com ela, e ela não estava bem psicologicamente pra poder ir dançar. Como bom amigo que sou, fui conversar com ela, trocar uma idéia, confortá-la e finalmente consigo fazer ela topar ir no ensaio só pra dar um pouco de risada (afinal, era muito engraçado ver aquele monte de marmanjo dando uma de bicha louca) e tirar esses problemas da cabeça, se sentir melhor.

Mas, mesmo assim, ela não estava concentrada, e errava freqüentemente os passos.

Foi quando o sujeito que não suporto começou a falar um monte, por exemplo:“Porra, Fulana, olha o que você tá fazendo, se toca!” ou até “Fulana, pára de errar, caralho!”. Naturalmente, o ânimo dela foi caindo. A pior coisa pra uma pessoa que está se sentindo pra baixo, é ser levada mais pra baixo ainda. Eu percebi o que estava acontecendo e que ela havia parado de dar risada. Estava séria, e eu não gostei. Mas até aí, eu estava só na minha, esperando pra ver se o sujeito iria se tocar.

Mas não, ele resolve lançar mais uma: “Caralho Fulana, vai tomar no cu! Você é burra, num sabe dançar não?”. E ela não agüentou. A última coisa que vi foram seus olhos vermelhos, antes de ela virar as costas e sair andando pra fora do pátio.

E aí, eu também não agüentei.

Foi automático: na mesma hora, eu parei de dançar, atravessei a roda até onde o sujeito estava, punho fechado. Quando ele me viu já era tarde, e não teve tempo de reagir: soquei a mão na gola dele, levantei no ar (não me pergunte de onde veio tanta força, mas ela veio), e o prendi contra a parede mais próxima. Comecei a falar um monte pra ele, o pessoal começou a olhar, a música havia parado. Nunca havia falado tão sério assim com alguém antes. Estava pouco me lixando se a galera tava olhando ou não, estava pouco me lixando em atrapalhar os ensaios, estava pouco me lixando se iria tomar algum tipo de advertência ou não. Mas alguém precisava ensinar pra esse infeliz um pouco de bom senso. Aliás, considerava essa minha amiga como uma quase-irmã pra mim já, não podia deixar barato:

“Muleque, você é demente? Tem problema? Tu não tá vendo o estado da garota, tu não tá vendo que ela tá mal? Olha o que você fez agora! OLHA O QUE VOCÊ FEZ! Você NÃO sabe o que tá acontecendo, você NÃO sabe pelo o que ela passou! Custa ter um pouco de bom senso e PENSAR um pouco antes de sair por aí falando merda pra qualquer um? SE TOCA, PORRA!”

E joguei ele pro lado. Ele ficou me olhando, perplexo. Simplesmente não acreditava no que eu acabara de fazer. E não foi só ele.

Olhei em volta, foi quando eu percebi que era o centro das atenções. Todos os olhos estavam voltados pra mim. Meus pulsos estavam tremendo e eu estava completamente nervoso. Sem saber o que fazer, eu simplesmente larguei o sujeito no chão, me afastei até um banco e sentei.

Algumas pessoas cochicharam, resmungaram, outras até deram uma risadinha. Mas alguns poucos amigos fiéis que estavam em volta, foram até mim. Eles nunca haviam me visto nervoso uma vez sequer, em anos de convivência, e lá estava eu, com os punhos tremendo ainda, sangue nos olhos, ainda não acreditando como uma pessoa poderia ser tão retardada e insensível.

“Você está bem?”, uma outra amiga me perguntou. Eu olhei pra ela, e no momento que eu fiz isso, ela deu um passo pra trás. O olhar que eu nunca vou me esquecer: ela estava com medo de mim, eu estava assustando meus amigos. Foi quando eu percebi que eu deveria começar a pensar em relaxar, pois, se até meus melhores amigos da escola resolveram dar um passo pra trás só de trocar olhares comigo, significava que eu realmente NÃO estava emanando uma energia muito agradável.

A última coisa que eu queria naquele momento era espantar meus amigos, então eu respirei fundo, e, fazendo um grande esforço para a minha voz parecer a mais normal possível, eu respondi: “Estou, estou sim… Daqui a pouco eu melhoro…”. Foi quando o meu par voltou, e eu não agüentei e fui abraçar ela. Só me lembro de ter escutado um “Obrigada” enquanto eu tentava me desculpar.

O ensaio continuou depois disso, e, naturalmente, o sujeito não olhou nenhuma vez mais na minha cara, e nem disse mais uma palavra o resto do dia. Ele nunca mais se dirigiu à mim ou à minha amiga pra falar sobre a quadrilha, e todos os outros dias, nos intervalos, quando eu cruzava o olhar com o dele, ele imediatamente olhava pra baixo. Pelo menos até o último dia de aula, quando ele veio se desculpar.

 

Sim, essa história é real, e aconteceu comigo. Foi algo que me marcou, não pela briga, mas pelo medo que eu via refletido nos olhos dos meus amigos: medo de mim! Esses olhares me marcaram de tal forma, que eu nunca mais quero vê-los novamente na vida.





Viagem ao Sul

16 08 2008

[2h17] Escrevo esse post diretamente do meu Nintendo DS, de dentro do ônibus, no Paraná, em direção à São José dos Pinhais! Agora são mais de 2h da manhã, luzes apagadas, pessoal dormindo. Meus primeiros instantes em terras vermelhas, no Sul de nosso País!

Bons momentos até agora, nada a reclamar! Foi interessante ver o mapa do Estado do Paraná pregado na parede do posto da primeira parada da viagem e ficar sabendo que eu já havia deixado São Paulo pra trás. E, de quebra, ainda descobri que tinha uma garota aqui dentro do ônibus que estava com um Nintendo DS! Aí, já viram, né: altas jogatinas Wireless dentro do busão! Mario Kart DS e Elite Beat Agents dominando!

Esse post vai ser dividido em horários, então vocês poderão ficar sabendo de tudo o que aconteceu e quando!

E, com a chuva gelada batendo na janela do meu lado, eu pego no sono e me preparo para um dia que promete ser sensacional! 😀

[4h29] Segunda parada. Peguei uma horinha de sono, mas nada de mais… A maior parte do tempo eu estava acordado vendo as luzes das cidades passarem ou só contando os pingos na janela. A chuva diminuiu, mas não parou.

Uma cena engraçada no ônibus: um sujeito dormindo com uma manta cobrindo até a cabeça, assemelhando-se a um casulo! Naturalmente, uma foto para eternizar esse momento! 😛

[7h32] De manhã, sinais de civilização! Uma cidade cheia de indústrias! E eu realmente digo CHEIA! Pra qualquer lado que olho não vejo sinais de prédios, somente indústrias e fábricas! Pelo menos, assim é São José dos Pinhais à primeira vista.

O horário de chegada na Teikon é por volta das 8h00, então devemos estar chegando! 😀

[8h45] Dentro da Teikon! Parece enorme! Agora estamos aqui tendo uma palestra sobre a empresa! Show!

[9h04] Café da manhã na empresa, que beleza! Com direito a bolachas e sucos! Agora começa o tour! Vamos lá!

[10h13] Vixe, fomos divididos em duas turmas e eu acabei ficando na segunda! Agora tem que esperar a primeira turma… 😛 Enquanto isso, só zueira! 😀

[12h30] Saímos da Teikon! A empresa é show mesmo e eu sempre quis saber como eram feitas as placas de computador! Mas agora estamos em Curitiba! Mais precisamente no Jardim Botânico! O lugar é realmente lindo, muito bonito! Parece até lugar de filme! Fontes, pedras, flores, realmente muito bonito mesmo! Uma pena que eu não tenha câmera digital pra tirar foto… 😛 Mas meus amigos têm, então eu posto elas depois!

[14h56] Ahh, churrascaria! Meio simplezona, mas era uma churrascaria! E agora, devidamente almoçados, estamos todos voltando pra Lins! Uma viagem de 10 horas vem pela frente, então os DSs serão uma boa distração, hehe…

[0h31] Finalmente, em casa! Agora, digitando pelo computador (bem melhor do que o teclado on-screen do DS) já que a bateria do DS acabou faltando uma hora pra chegar em Lins! Sim, ele fez seu milagre e durou impressionantes 15 horas de jogatina com direito a Wi-Fi! Agora, uma carga completa de 3 horas! Beleza, não? 😉

Pois é, como vocês perceberam, dia cheio, muitas horas na estrada e muita diversão! A melhor parte do percurso da viagem foi, de longe, quando resolvemos imitar os professores da faculdade! Hilário, muito bom!!! E sem contar as músicas estilo “Fulano roubou pão na casa do João”, clássicas de qualquer viagem! 😀

Agora, preciso jantar, descansar e dormir! Um beijo na bunda, até segunda!





Finalmente, pra fora!

14 08 2008

Querido diário,
Queridos leitores,

Antes de tudo, maiores perdões pela falta de posts e atividade aqui no blog/MSN/GTalk/qualquer coisa internet-related… Volta às aulas, volta à correria, sabe como é… 😛

Mas é com grande prazer que informo que estarei viajando amanhã para o Paraná! É isso mesmo! Nunca saí da região Sudeste do Brasil, e depois de 19 anos e meio, finalmente vou pisar em terras diferentes, terras vermelhas! A viagem é rápida, ida e volta, excursão do meu curso da faculdade: vou na quinta (amanhã) de noite e volto na sexta de noite também! O problema é a duração da viagem: mais de 8 horas, são mais de 700km de estrada daqui de Lins… Quem mandou morar longe… Mas sem problemas, estou acostumado com viagens longas! 😀

No mais, foi um post só pra dar aquele sinal de vida e dizer que estou bem, feliz e contente! 😀 Só um pouco nervoso/preocupado com faculdade/provas/projetos/exercícios/trabalhos/etc, mas nada muito sério até agora!

E aliás… Nintendo DS firme e forte, fazendo valer cada centavo! Alguém querendo trocar Friend Code aí? 😉

Um beijão pra todos vocês! Grandes saudades, enormes abraços!





Inestória: Sofrendo e Ardendo

2 08 2008

Olá, meus queridos! Como vão?

Bem, como vocês sabem, infelizmente perdi minha Carteira Nacional de habilitação por ser surpreendido por um filho duma burra de um policial que me parou para fazer o tal teste do bafômetro. Perdi minha CNH por comer bananas flambadas em demasia. Fazer o quê, né?

Enfim, já que perdi minha licença para dirigir, tenho que ir trabalhar de ônibus agora. Gosto de ler os adesivos que encontro colados no vidro: “Respeitar o idoso é respeitar a si mesmo” ou “Proibido fumar”. Mas a plaquinha que mais gosto é “Proibido o uso de aparelhos sonoros” de uma lei que foi feita em 1968. Será que em 1968 os legisladores já previam o aparecimento de certas pragas que entram nos ônibus para infernizar a nossa vida? Não sei, só sei que detesto gente burra e que fazem de tudo pra nos ferrar. Resumindo, detesto calhordas e velhas.

Estava eu socado naquela lata de sardinhas às 6 da manhã, cheirando a sovaqueira de todas aquelas pessoas que se esfregavam e suavam no mesmo calor humano que nos envolvia naquele sofrimento. Quando a coisa ta feia, vai uma dica: jamais pense na seguinte frase “Pode piorar?” (ou similares). Um trovão e uma baita chuva começou a cair lá fora. Bem, chuva pode não significar nada, mas acredite: pessoas que têm mais opções de ônibus esquecem esse fato e se socam mais ainda no primeiro ônibus que aparece. Fora as janelas fechadas, o sufoco ainda maior e aquelas pessoas que tem as pregas soltas, liberando aquele cheiro mortal pelo reto (o famoso pum). Como eu disse antes, jamais pense “Pode piorar”, principalmente pela segunda vez. Não bastasse o inferno que eu me encontrava, um rapaz de cabeça estranha, cabelo mais ainda e vestido com uma camiseta do Corinthians, sacou um Motorola V3 do bolso e ligou. Simples assim. Começou a ouvir umas músicas que, pessoalmente, detesto! O funk moía enquanto o safado balançava a cabeça de um lado pro outro. Depois de umas 4 músicas de letra pornográfica e que incita a violência, o rapaz mudou para o rap. Pronto, era só o que faltava: viajar no ônibus daquele jeito ouvindo um desgramento reclamando da vida e levantando dados sobre negros no Brasil. Não quero saber que 40% “dos nêgo” que nascem nessa cidade são presos sem justificativa. Naquela hora eu não queria saber de porra nenhuma, só de chegar logo no meu trabalho para sair daquele sufoco infernal. Quando o repertório de rap acabou, um forró rala-coxa começou com uma histérica gritando “CALYPSO!!” a cada 5 segundos. Foi o “ó”! Não agüentei e disse:

— Aí, safado!! Desliga essa porra que eu não sou obrigado a ouvir essa merda!!

— Ta falanu comigo, sangue-bom?

— Não, tô falando com o único tapado, orelhudo e sem noção desse ônibus, seu maldito!

— Eu?

— Desliga essa porra, seu merda!!

Não sei, eu estava muito nervoso, como puderam perceber. O rapaz olhou pra mim e gritou:

— Aí maluco, vou te dar uma bifa!

— Vem aqui! Se você conseguir, né? Desliga essa porra antes que todo mundo aqui quebre essa sua cara!

Nesse momento a galera começou a se agitar. Sentindo que estavam do meu lado, eu me senti mais forte. Foi aí que o cobrador entrou no meio:

— Desliga essa porra, vagabundo! Tinha que ser corintiano! Desliga essa merda, não sou obrigado a ouvir essa bosta!

Na hora, o rapaz desligou e desceu no próximo ponto. Safado.

Cheguei no trabalho e fui muito bem recebido pelo pessoal. Ufa, pelo menos, quando a gente sai daquele inferno do ônibus, descobrimos que nada é pior. Mas isso até que foi bom: cheguei inspirado pra ferrar com os filhos da mãe que passam trote de seqüestro.

Na hora do almoço, saí com a Maria José para dar uma olhada nos filmes que vendem na rua do prédio da CATS. Me interessei por um que estava lá: “Batman: o Cavaleiro das Trevas”. Perguntei para o vendedor:

— Mas esse filme não está no cinema?

— Tá sim, doutor. Mas sabe, né? Aqui a gente só trata com novidade!

— E a qualidade tá boa?

— Tá sim senhor! Parece até que está assistindo no cinema!

— E você teria algum outro filme bom aí?

— Olha, filme bom eu tenho todos, mas interessante ao doutor eu tenho alguns que a senhorita aí não gostaria de ver.

— E você pode me mostrar?

— Claro! Ô Dente!! Traz lá o filme pro homem! Filme de homem!

Eu fiquei ali parado esperando o tal “Dente” trazer o filme. De repente chegou aquele cara, aquele mesmo que de manhã eu queria socar a cara por estar ouvindo aquelas merdas, aquele corintiano safado. Ele trouxe um DVD. Olhou pra mim, tomou um susto e disse:

— Você não é o viado que queria me socar hoje no ônibus?

— Não. – respondi, com sagacidade.

— É você mesmo, mano! Você é o viado que tava incomodado com minhas músicas!

— Não. Era eu mesmo quem queria te socar, mas o único viado aqui é você. – respondi pro malandro.

— IIIIIIIHHHHHH ÉEEEEEEEHHHHHH!!! – gritou o vendedor, agitando a confusão.

— Só não te pego de pau, maluco, porque você vai comprar essa merda desse filme de homem.

O cara deu o DVD pro vendedor que sorriu e disse:

— Esse Dente não tem jeito mesmo. Liga não, não bate nem numa pulga. Posso colocar?

— Pode! – respondi.

— Mas a senhorita que está com o senhor não vai se incomodar? – perguntou.

— Não, está tudo bem – respondeu a Maria – eu vi meu pai fazendo meu irmão… com a vizinha… então não tem problema!

O vendedor ligou o DVD, colocou o disco e a imagem começou, com letras garrafais: “ESTE FILME É DIRIGIDO APENAS AO PÚBLICO MASCULINO”. E começou o filme. E que filmaço!! Filme de macho mesmo! Um filme que passava a seleção brasileira de 1970 ganhando a copa do mundo. Todos os lances. Todas as jogadas. As melhores que já vi na minha vida.

— E não tem perigo eu levar esses DVDs não?

— Problema nenhum, doutor.

— Mas eles são falsos!

— São não senhor. Eles são legítimos! Legitimamente feitos na minha casa! Não tem erro!

De repente um grito soou ao longe: “OLHA O RAPA AÍ MANO!!! CORRE NEGADA!!!”

Em menos de 3 segundos o vendedor recolheu a mercadoria, pediu-me desculpas e saiu correndo, juntando-se à multidão de camelôs que também corriam dos PMs que invadiam as ruas. A boa notícia é que o cara esqueceu o filme comigo.

Cheguei no trabalho inspirado mais do que nunca. Foi então que minha linha tocou! Ah, finalmente um trote pra eu sacanear! Ei-lo:

SACANA: Ambrósio?

EU: Ele.

SACANA: Ambrósio, é o seguinte! Tamo co teu filho aqui maluco!

EU: Meu filho? Oh, meu Deus! Meu filho está maluco??

SACANA: Não, eu tô com ele aqui!

EU: Ah, entendi. E aí?

SACANA: Eu quero dinheiro, mano! Dinheiro!

EU: Eu também quero.

SACANA: Não brinca comigo, sangue-bom!

ALGUÉM NO FUNDO: AAAAHHHH PAI!! ELE TA APONTANDO A ARMA PRA MIM!!

SACANA: Eu não tô brincando! A casa vai cair pro seu lado, hein! Eu sei onde você mora!

EU: Então fala! Fala aonde eu moro!

SACANA: …

EU: Viu! Se você quiser matar meu filho, mate, porra! Mas depois agüenta as conseqüênciasssss, viu? Viado! Bicha!

SACANA: Você tá achando que isso é brincadeira, né? Que é trote, né?

EU: Tô nada! Se fosse trote você não saberia o nome do meu filho! Você sabe, né?

SACANA: Vitor Alves!

EU: Olha, você está afiado, hein viado!

SACANA: Vou matar esse condenado!

EU: Ah, você disse que sabe meu endereço. Mata meu filho, mas não vem aqui atrás de mim, hein!

SACANA: Por que? Acha que vou deixar você em paz??

EU: Não. Porque eu sei onde você mora.

SACANA: …

EU: Rua dos Clementes, altura do número 560, próximo a uma loja Renner.

SACANA: Você…

EU: Eu não, “os homi”. Cinco, quatro, três, dois, um… Tchauzinho!!

Um barulho arrombou a porta. A polícia federal acabava de invadir o local de onde estavam passando o trote. Foram presos 3 homens que haviam resgatado as informações da vítima no Orkut. O pai, Ambrósio, só havia percebido que se tratava de um trote quando ligou de um celular para o filho e garantiu que ele estava bem e seguro em seu trabalho.

Bom, por hoje é só. Eu fico por aqui. Um grande beijo a todos vocês e até a próxima!

Por: Ariel Salgado Nascimento.

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