Inestórias: Chill Bill da Morena

18 05 2008

Olá, meus queridos! Tudo bem com vocês?

Ah, estamos chegando no Natal! Como eu adoro esta época! Me faz lembrar de quando eu era pequeno e ficava esperneando para a minha doce mãe comprar um cinto do Kamen Raider Black da Glaslite no Mappin. Talvez este seja um trauma de infância que carrego: todos os Natais que passei, papai Noel nunca me dava o que eu pedia. Aí eu pedia pra minha mãe e ela também não dava. E assim eu apelava pro meu pai que também negava. Terminava por espernear no Mappin.

Mas esse papo de final de ano começou porque eu quero lhes contar o que acontece lá no trabalho. Há uma festa de confraternização com os funcionários. Fomos todos a um barzinho do bairro chamado “Chill Bill da Morena”. Começamos então a beber algeres e contentes, brincando e dando muita risada da profissão que exercemos. Jogamos sinuca, truco, bebemos tequila, caipirinha, caipiroska. Foi quando em um determinado momento, um sujeito chegou pra mim e disse, com a voz pesada de bêbado:

— Eu comi a sua mãe!!
Sagaz, tranquilo e confiante, eu pedi:
— Por favor, me dê licença! Estou aqui com os meus amigos e não quero atrapalhar.
— Cala boca seu fedelho!! Eu acertei sua mãe direitinho!! Peguei ela de jeito! — repetiu o sujeito.
— Meu, na boa, estou aqui sossegado e não quero que você atrapalhe minha saideira com os amigos!
— Ah se fudê, rapá! Eu comi tua mãe e você num vai fazer nada, seu frouxo!!
Foi nesse momento que eu perdi a calma. Dei um tapa na mesa, segurei o cara pelo braço e disse:
— Dá licença, pessoal! Tenho que levar meu pai pra casa! Ele já bebeu demais por hoje!
Mas, ao contrário do que eu esperava, o pessoal disse:
— Hey Cente! Deixa seu pai aqui!
— É, chama o camarada pra gente tomar umas aqui com ele!
Mesmo sabendo que isso ia dar merda, resolvi fazer o que eles pediram. Afinal de contas, éramos todos homens adultos e nada poderia dar errado. E por quê daria?
Estava tudo indo muito bem, rimos mais ainda, meu pai falava certas coisas que particularmente me deixava envergonhado (afinal ninguém quer saber como seu pai e sua mãe te fizeram), mas estava tranquilo. Até a hora em que meu pai se levantou, andou cambaleando até o bartender e disse a ele:
— Eu quero uma aposta!!
O bartender olhou pra ele, meio desconfiado.
— O senhor já bebeu além da conta. Precisa ir pra casa!
— Não saio daqui até vencer uma aposta contigo, homem!
O bartender deve ter achado que ganhar uma aposta de um bêbado no estado do porco (lembrando dos estados da embriaguez descritos mais abaixo) era fácil. Resolveu aceitar:
— Muito bem, o que temos?
— Eu apozzzto zem real com vozê que vozê num conzegue mijá neze copo que vou deijar no jão!!
Meu pai tirou um copo americano do bolso. O bartender deu um sorriso e abriu a braguilha. Meu pai, com certa dificuldade, colocou o copo no chão. Em poucos segundos, o bartender encheu o copo sem muitas dificuldades. Deu um sorriso e pegou os cem reais do meu pai. Vendo que o velho tinha mais dinheiro, o bartender apostou:
— Eu dobro a aposta e pago bônus de 3 dias no open bar se VOCÊ conseguir mijar dentro desse copo. Se você não conseguir, me paga 200 reais. Se conseguir, te pago 250 e open bar por 3 dias.
E colocou o copo no chão. Meu pai apertou a mão do sujeito, abriu a braguilha e começou a mijar. Mijou no balcão, escorreu para as mesas, cadeiras, caiu no chão e escorreu até chegar no ralo, mas não acertou o copo. O bartender deu um sorriso grande e pegou os 200 reais do meu pai.
— Essa foi moleza! Hey, por quê apostou comigo sabendo que ia perder 300 mangos? — perguntou o bartender ao meu pai.
— Tá vendo aquele pessoal ali? — apontou o velho pra gente — Então, eu apostei com eles 600 real que eu mijaria o bar inteiro enquanto você dava risada!

Tudo bem, fomos expulsos do bar. Mas foi uma noite muito divertida. Agora, relembrando os estados da embriaguez:

= ESTADO DO MACACO =
O sujeito bebe pra ficar alegre. É o que mais acontece nas baladas e saideiras. Sinceramente é o que eu faço! Bebo pra ficar alegre. Não é considerado “passar da conta” e por isso o Direito Penal pune crimes cometidos por esses caras.

= ESTADO DO LEÃO =
Esse aqui o cara bebe pra virar macho. Quer brigar com todo mundo. Briga e depois chora. Pra esse qualquer um é amigo dele. Algumas vezes o Direito Penal pune, mas outras vezes não pune. Pune quando quer brigar, mas não pune quando está chorando dizendo que é amigo de todos.

= ESTADO DO PORCO =
O cara nem sabe mais quem é ele. Deitar e ficar esparramado no chão é a melhor coisa que ele sabe fazer. Não fala direito, não tem sensibilidade e não lembra de nada que aconeteceu no dia seguinte. Assim estava meu pai. E não, o Direito Penal não pune esses caras de jeito nenhum, já que não sabem o que estavam fazendo. Mas interna. Isso é que é legal!

Depois de sairmos do bar, meu pai entrou no carro deu a partida. Imediatamente eu puxei o velho de dentro.
— Cê tá louco?!? Não vai dirigir assim nem a pau!
— Me larga! Eu quero ir! Quero iiiihhh….
Bom, nesse momento ele começou a dormir. Como fedia esse cara! Joguei-o no banco de trás, me despedi do pessoal e fui pra casa levá-lo embora.
No caminho, um policial me pára e pede a documentação. Depois que eu entreguei-lhe a CNH e os documentos do carro, ele olhou para dentro do carro e viu meu pai lá jogado no banco de trás.
— Quem é o sujeito? — perguntou pra mim.
— Meu pai! — respondi — Ele está caindo de bêbado.
— Arght! Pelo visto você também tá ruim hein! Que bafo desgraçado! Vou ter que autuar!
— Não, pelamor de Deus, seu guarda! Num autua não!
— Não tem como não fazer isso! Cê tá fedendo a álcool destilado!!
— Não, senhor! Eu não estou fedendo a álcool destilado só não. Do outro lado também deve estar cheirando mal — eu disse, sem ter a mínima noção do perigo.
— Desce do carro! — mandou o policial.
Na minha cabeça só passava apenas uma palavra: “FODEU!”. Ele colocou minha cabeça no capô do carro e disse:
— Você acha que eu gosto de ficar brincando com bêbados?
— Foi só uma piada, chefia!
— Piada é o caralho!! Piada é o caralho!! Vou te mostrar que cu de bêbado não tem dono, seu viado!
Nessa hora uma outra viatura chegou (pra me salvar (ou não)). Um outro policial saiu enquanto o outro dormia dentro da viatura.
— O que tá havendo? — perguntou para o Policial 01.
— Eu peguei esse viado dirigindo embriagado! — respondeu ao 02.
Sem mais nem menos, os dois começaram a me dar tapas. Eu não sei o que estava havendo, mas eu acho que eles gostam de bater em bêbados. Foi quando encostou um homem na gente:
— Ei! Ei! Vocês estão batendo nele? — perguntou o homem.
— Sim, e daí? O que você vai fazer? — perguntou o policial 02.
— Vocês não podem fazer isso! Vocês são policiais! Estão batendo em um cidadão que não apresenta perigo algum!
— Você tá louco? — começou o 01 — Tá querendo dizer o que a gente deve ou não fazer?
Os dois cercaram o homem e começaram a bater com força nele também. Sem forças, só fiquei observando a cena sem poder fazer mais nada.
— E agora? — disse o 01 dando um super-tapa na cara do homem — E agora, o que você vai falar pra eu fazer, hein seu viado?!
— Arght… Você… Vá tomar banho!!
Eles riram e socaram mais uma vez o homem. Dessa vez foi o 02 quem perguntou:
— E agora? O que me manda fazer?
— Você… Vá se fuder! Vá tomar no cu!
Socaram um pouco mais o cara até cair a carteira de documentos dele. O policial 01 pegou e olhou os documentos pra ver se já tinha passagem. Foi aí que ele tomou um grande susto:
— Iiihh!! Puta que o pariu, fodeu, porra! Que merda, caralho!!
— O que aconteceu? — perguntou o 02, parando de bater no homem.
— O cara é Supremo Marechal das Forças Militares e Civis do Estado de São Paulo!!!
— PUTA MERDA!!! E agora, o que a gente vai fazer???
— Você eu não sei, eu vou é tomar meu banho que ele mandou!

Depois de passar pela delegacia, prestar queixa e depois passar no hospital e ficar um tempo lá, voltei à ativa. Hoje estou bem, apesar de uma forte dor de cabeça e alguns olhos roxos.

E agora, como eu havia prometido, lá vai um trote atendido por mim:

ELEMENTO: Alô! Aí patrão, é melhor não me enrolar
*choro de alguém lá no fundo*
EU: Quem tá falando?
ELEMENTO: É o seguinte, truta! Nóis tamo com teu filho aqui e num vamo largá ele não hein! É melhor fazer o que eu tô mandando se num quiser que ele saia com os dedo rancado!
EU: Por favor, mantenha a calma! Não machuquem meu filho!
ELEMENTO: Truta, passa tua conta que eu to ligado que cê tem conta!
EU: Posso falar com meu filho?
ELEMENTO: Aí carai, to falando sério truta! Passa os esquema da tua conta senão esse féla da puta vai acordar com a boca cheia de furmiga!
EU: Cacete! Você fala mal demais! O senhor por acaso é corinthiano?
ELEMENTO: Sou flamenguista!
EU: Só podia ser dessa laia aí. Tudo igual! Deixa eu falar com meu filho, porra!
ELEMENTO: Se tu num passá a porra dos esquema eu mato ele!
*Aaahh! Mãaaae!!! Me ajuuda mãaaaae*
EU: Ele gritou “mãe”?
ELEMENTO: Hum…
EU: Que estranho, ele não tem mãe! Ele é adotado! Por um casal de gays! Ele tem dois pais.
ELEMENTO: !!!
EU: Deixa eu falar com ele agora?
ELEMENTO: Vai se foder, vou matar teu filho!
EU: Então mata a porra do meu filho, seu viado!!
ELEMENTO: Eu tô falando sério! Eu vô matá ele!
*Waaahh!! Pai, ele vai me matar!!*
EU: Pai?! Ele me chamou de pai?
ELEMENTO: Chamou.
EU: Mas ele num tem pai! Eu sou o tio dele! Ele é adotado!
ELEMENTO: Tu tá querendo me enrolar! Eu mato ele!
EU: Mata, faz esse favor pra mim! Mata que eu vou adorar! E depois que matar, que tal vir atrás de mim. Vem atrás de mim, mas bem gostoso!! Uh, delíiiiicia!!!
ELEMENTO: Fodeu, o cara é biba! É do esquema! Atividade! Atividade que os homi tão vindo pra cá! Atividade porra! Ati… *Click* tu, tu, tu, tu, tu…
Em uma operação que demorou 5 minutos, os dois meliantes foram presos em Copacabana, RJ.

Um beijo a todos vocês e até a próxima!!

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As Inestórias de Epiriquidiberto – Todas as quartas-feiras de noite, aqui na Vida de um Universitário e no Castelo de Marfim.


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One response

18 05 2008
Rafa

muuuito boa essa inestória
adorei =)
beeijão, marido

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