A demissão: um estranho no ninho

8 05 2008

Bom dia, boa tarde, boa noite, meus queridos!

Finalmente venho a falar com vocês, depois de um longo período. Falo já o motivo de tanto afastamento. Antes eu queria agradecer ao Pedro por me dar uma boa resposta à pergunta “Por que a galinha atravessou a rua?”. Muito simples! Simplesmente porque a rua não pode atravessar a galinha!

Agora vamos ao que interessa. Estou muito tempo afastado porque fui demitido. Sim, meu serviço de escravo acabou. Depois de uma semana de trabalho forçado e passando por poucas e boas (inclusive enfrentando a raça maldita de velinhos crus), fui demitido. Motivo? Bem, não sei bem ao certo, mas isso coincidiu com o término das dívidas atrasadas do chefe, com a tensão que havia nas costas dele acabar e com uma série de outros fatores. O caso é que simplesmente o chefe chegou pra mim e disse: “Bom, eu não gostei do seu trabalho, achei você muito cru e não está trazendo bons frutos para a empresa. Desse jeito não podemos continuar. Você faz cada besteira que eu não consigo entender! Desde quando uma dívida que vence sábado pode ser paga na segunda?? Só na sua cabeça mesmo! Não dá pra continuar. Apareça segunda-feira para acertarmos! Tchau!”.

Segunda-feira da outra semana eu fui receber o que eu tinha lá. Meu salário-base era de R$420,00 sem vale-transporte e sem vale-refeição. Com as horas-extras que eu fazia (geralmente 3 horas por dia) dava pra tirar uns… R$0,00 (eles não pagavam HE). Trabalhando por uma semana, mais décimo-terceiro e férias, eu deveria receber uns R$130,00 (por volta disso). Segunda-feira eu passei lá pra receber meu cheque: R$100,00. “Está esperando o quê?” perguntou ele quando eu recebi o cheque e fiquei parado na frente dele. “O resto do valor”, respondi. “Você entra aqui na minha empresa, trabalha feito um preguiçoso mau-humorado e ainda quer receber mais? Dê-se por feliz, seu infeliz!”. Eu olhei com ódio pra ele. Mas ele olhou com mais ódio pra mim. Baixei a cabeça. Mas de pirraça eu continuei ali parado. Ele veio na minha direção e começou a me empurrar. “Fora! Fora! Rua!” dizia ele. Eu dei um tranco e disse: “Olha só como você me empurra! Parece mais uma borboleta!”. Ele olhou furiosamente pra mim e disse: “Não é nada pessoal, mas vou ser obrigado a aplicar-lhe um soco.”. E me bateu. Na cara! Olhei e debochando disse: “Com quem você aprendeu a bater desse jeito? Até a sua irmã bate melhor! Toda noite ela me pega de jeito!”. Realmente eu não sabia que eu tinha capacidade de falar algo assim. Mas ele se esquivou: “Heh, eu não tenho irmã, seu idiota!”. Mais que depressa eu disse “Noooossa! Então sua mãe me enganou! Eu pego aquela vaca!”. Ele lançou a cadeira em mim. Eu desviei e lancei-lhe a primeira coisa que encontrei: um carrinho de rolemã. Ele desmaiou com a boca totalmente sem dentes. Abri bem as pernas dele e pisei 58 vezes com todas as minhas forças nos ovos daquele desgraçado. Depois peguei as caixas de som do computador dele, coloquei próximo do ouvido dele e aumentei o som. Aumentei muito o som. Totalmente. Liguei a música que eu mais gosto de ouvir (que se tornou um hino pra mim naquele momento): Rage Against the Machine – Killing in the Name. Enquanto eu gozava daquele momento, duas pessoas me agarraram e me levaram para um local onde só depois de 2 dias pude perceber do que se tratava: um sanatório que fica na região do Taboão da Serra, SP.

Quatro dias depois e eu ainda ria da situação. Chorava de tanto rir. Tudo aquilo que passei, toda a humilhação, todos os momentos difíceis. Sabe, meus queridos, eu me esforçava pra poder mostrar um dia aos meus filhos um quadro de “funcionário do mês”. Mas todo o meu esforço, toda a minha dedicação foi cruelmente esmagada pelos pés gordos daquele moncorongo que só queria me usar o tempo inteiro. Sim, eu ria! E poderia continuar rindo durante mais dois meses. Juro que poderia!!

Um dos dias que eu finalmente parei de rir, fui dar uma voltinha. Vi os loucos, tão felizes como eu, mergulhando e brincando. Foi quando eu esbarrei em um grandalhão que automaticamente cuspiu em mim e insultou “Bicha!”. Um outro louco olhou e começou a rodopiar gritando “ÊEEEPA! ÊEEEPA!! Veja lá como fala, sua sirigaita! Bicha não! Eu sou uma quase Maria do Bairro”. De repente uma música de fundo começou a soar, cantando uma letra mais ou menos assim:

*TAN-TAN-TAN*

Y a mucha honra María la del Barrio soy
La que de escuincla quedó resola
Y pa’ cambiar su suerte
De su barrio querido se fué
Pa’ poder comer
Maria, Maria la del Barrio no, no llores más

Depois de um piti estranho, a bicha começou a rebolar no som da música. Imediatamente uns vinte loucos ficaram atrás dela, imitando, como uma coreografia ensaiada. A música parou. De repente começou a tocar Thriller do Michael Jackson. E eles dançaram como se tivessem ensaiado tudo. Foi bizarro.
Resolvi passar o resto dos dias no meu quarto. Eu lembrei da Mary. Ela era legal, me dava forças pra continuar a trabalhar. Lembrei também do grandioso Cyril, o nosso Takayama. Resolvi orar por ele. Foi quando eu lembrei do meu ex-chefe. Foi um momento muito difícil pra mim. Consegui parar de rir só depois de 20 dias.

Algum tempo depois eu finalmente consegui provar minha sanidade. Tudo o que tive que fazer foi ver uma seqüência de fotos dele sem dar risada. Foi um sufoco, mas consegui depois de 17 tentativas. Saí do sanatório com um processo de Lesão Corporal nas costas. Vou recorrer, já que fiz isso unicamente para defender a minha honra. Tenho medo só de chegar na audiência e cair na gargalhada ao ver aquela cara gorda toda socada e o saco dele todo inchado e estourado de tanto tomar chute.

Bem, meus queridos. Creio que consegui explicar a minha ausência. Agora estarei de volta com vocês. Quero também conhecer gente nova, por isso peço que publiquem minas (in)estórias, ok?

Um beijo a todos!

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As Inestórias de Epiriquidiberto – Todas as quartas-feiras de noite, aqui  na Vida de um Universitário e no Castelo de Marfim.


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