A Invasão dos Velhinhos

11 04 2008

Meus queridos! Como vão vocês?

Hoje estou aqui para fazer um desabafo. Já conto o que tanto me afligia. E o pior de tudo é que isso aconteceu em um dia, apenas um único dia.

Em virtude do meu novo emprego, fui fazer um trabalho de office-boy. Eu trabalho em São Lourenço da Serra, interior de São Paulo e fui mandado até a Capital, num bairro chamado Morumbi (mais exatamente no Portal do Morumbi) para que pagasse a conta de água do meu chefe. Peguei um ônibus só até a Estação Tietê. No metrô já começou a avacalhação: tinham no mínimo quinze assentos vazios. Uma velha parou na minha frente. Eu olhei e continuei sentado, na minha. Até que um cara que estava na porta caminhou até a minha presença e disse: “Amigo, deixa a senhora sentar-se aí neste banco.”. E olha que eu nem estava naqueles bancos reservados, hein! Como não gosto de discutir com homens mais fortes do que eu, simplesmente me retirei.

Desci na Estação Santa Cruz para pegar um ônibus na frente do Shopping no qual se localiza o metrô. (Observação a parte: se você nunca andou de metrô em São Paulo, faça-o o mais rápido possível. É maravilhoso) Jardim Maria Sampaio era o nome do ônibus que estava escrito no meu guia. Entrei e vi o cobrador: era um velho. Eu dei pra ele R$ 5,30 para que fossem subtraídos R$ 2,30. Mas eu acho que ele não tinha entendido qual o valor real da passagem. Ele me voltou 50 centavos e disse para eu passar. Educadamente eu disse àquele cabeça de bagre podre que estava faltando. Perdi a paciência na 23ª tentativa de repetir “Está faltando troco”, sempre seguido com a mesma assertiva “Hein?!”.

Desculpem se pareço estressado, mas não disse quase nada do que eu ainda tenho que dizer. Finalmente cheguei ao banco. Maravilha! Meu serviço estará quase completo. Banco Público, agência do Portal do Morumbi (lugar sem muita movimentação de “povão”, ou seja, só magnata), parecia uma tarefa fácil. Cheguei na fila: uau! 3 pessoas na minha frente e 2 caixas atendendo! Observei bem e um deles era velho. Mas não me importava com isso. Afinal, tudo que estava acontecendo não passava de mera coincidência.

O cara da minha frente carregava uma pasta enorme de documentos. Mas ainda tinha o outro caixa para fazer o pagamento: o caixa de atendimento preferencial. Quando o velho homem que atendia neste caixa terminou, anunciando minha vez, chegou uma senhora e passou na miha frente. Tudo bem, eu esperaria. Outra senhora chegou. E outra. E mais um senhor. Dois. Três. De repente, quando eu vi, tinha uma fila de 16 velhos no caixa preferencial. E aquela múmia que estava atendendo as outras múmias no caixa simplesmente fala: “Vou almoçar. Atende o resto aí, certo?” Nossa, eu fiquei furioso! Um único caixa, terminando as centenas de contas que o cara tinha que pagar pra depois atender aquela imensa massa velha que estava crescendo a cada minuto pra depois me atender?! É preciso ser muito artista. O serviço público está uma catástrofe!

Enfim consegui sair de lá boas horas depois de ficar roxo de ódio. Eu poderia jurar que o próximo velho que cruzasse meu caminho levaria uma bicuda tão forte que iria matar mais ainda o “falecido”. Isso também serviria para velhas. Dizem que elas não tem tal instrumento, mas nenhum homem tem coragem de comprovar.

Voltei no ônibus e perguntei: “Por quê, Deus? Por quê faz isto comigo?”. O mesmo, eu disse O MESMO cobrador estava me esperando. Pelo menos desta vez não foi tão ruim: dei a ele uma nota de R$1,00 dizendo que era a nova nota de R$ 2,30 ele aceitou. Não deve ter me ouvido, mas deve ter achado que a nota era de R$5,00.

Estava no metrô, querendo logo voltar para o trabalho quando outro filho duma desgrama me diz: “Ae cara, deixa a senhora sentar no seu lugar”. Ah não, eu explodi. Gritando e com muita raiva, dei uma boa resposta: “DEIXO!”. Fiz cara feia. A velha olhou e falou, exalando aquele bafo desgraçado de palmito ardido: “É, não se fazem mais jovenzinhos como antigamente, blá, blá, blá, patati patatá”. Que vontade louca de arremessar um botijão de gás na boca dela, pra fazer ela parar de falar.

Felizmente não tive problema com os velhos do ônibus de volta para a São Lourenço. Cheguei e entreguei os documentos pro chefe e vim almoçar. Agora estou tomando coragem pra próxima tarefa: levar a mãe do chefe ao supermercado. Ainda bem que a Mary vai comigo. Lembra daquela menina que se parece a Marília Gabriela? Pois então, ela vai me dar uma força. Vai dar tudo certo! Tomara…

Percebi que detesto velhos e principalmente velhas. Com o rostinho “inocente” se acham no direito de terem mais direitos do que você. Ai que raiva! E no trânsito então? Acho que São Paulo é um inferno no trânsito por causa dessas “tiazonas” que bagunçam tudo, achando que andar de carro é só pisar no acelerador. E a voz rouca delas quando reclamam? Parece arranhar os ouvidos! Ah, como eu detesto velha! Odeio! Odeio!! Prefiro ter um filho viado do que ter um filho velha!!!

E por hoje encerro minha jornada aqui com vocês. Vou voltar ao expediente, o trabalho me chama. Afinal, sou brasileiro e não desisto nunca. E brasileiro ri de tudo também. Ri quando o preço da gasolina sobe, ri quando é assaltado, ri quando é baleado, ri quando tem o sonho arruinado… Ri até quando é gol da Argentina. Ok, Argentina não.
Bom, estou indo. Um beijo a todos vocês e até a próxima. E obrigado por ouvirem o meu sufocado grito de desespero que estava embolado na garganta.

==============================================

As Inestórias de Epiriquidiberto – Todas as quartas-feiras de noite, aqui na Vida de um Universitário e no Castelo de Marfim.


Ações

Information

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: