[Inestórias] O dia que o pau comeu solto

31 08 2008

Olá, meus queridos! Como vão??

Essa semana eu precisei de ir até a Avenida Paulista recolher uma documentação em um banco lá. Coisas do serviço, sabem como é. Estava um dia comum, o sol brilhava atrás de algumas nuvens e as pessoas berravam em mais uma passeata costumeira. Estávamos eu, o Ricardo e o Jenival. Chegamos ao banco e estava aquela fila quilométrica, cheia de gente suando, velhas, mulheres de cabelo ruim e chapinhado, homens gordos e com a camisa suja de tinta, office-boys, enfim! Povo bonito. Você tinha que ver. Povo bonito.

Como o nosso serviço ali não era ordinário, nem pegamos a fila. Fomos direto para o caixa pedir a autorização para entrar na administração. Acontece que antes mesmo de sermos atendidos, uma velha começou o murmurinho:

– Onde você tá pensando que vai?
– Eu vou… — ia dizendo, antes de ser interrompido pelo resto da fila em fúria.
– Lá pra trás, espertão! — gritou um homem.
– Não na minha frente! — foi a vez de uma empregadinha outra senhora.
– Cê tá loco, véi?! — gritou o motoboy.

Eu e meus colegas tivemos a pequena sensação de que seríamos linchados ali mesmo pelo povo em erupção. Foi então que chegou o gerente para acalmar a situação.

– O que está acontecendo aqui?!
– Nós somos da CATs! — disse o Ricardo, prontamente.
– Ah, por favor, me acompanhem! — disse o gerente, nos levando para longe do ódio faminto e insaciável da multidão da fila que deveria estar ali por pelo menos umas 2 ou 3 horas.

Depois que fomos atendidos numa boa, pegamos o que nos pertencia e fomos almoçar. Enquanto almoçávamos, jogamos guerra de dedos, apostando um castigo para quem perdesse. E adivinhem: eu perdi. Tudo bem, o castigo que eles me deram foi chegar naquela montueira de italianos que se concentravam na frente do consulado e dizer umas frases que eu não sabia o significado. Idéia do Jenival. Vamos lá, tenho que cumprir, afinal de contas, segundo o artigo 2º do Código do Homem, “qualquer aposta ou promessa deverá necessariamente ser cumprida, com a pena de dúvidas sobre a masculinidade caso ocorra o contrário”.
Cheguei ali no meio da multidão italiana e gritei, para que todos pudessem ouvir:

– Ognuno è gaio! (É tudo bandibicha!)
– Andiamo battere in loro!! (Vamos pegar esse cara de pau!) — disse um deles.
– OGNUMO È GAIOOOO, PORRA!!! (É tudo queima-rosca, porra!)
– Andiamo bettere in loro!! Fillo de puta! (Vamo catá esse desgraçado de pau! Filho da puta!)

Quando eu dei por mim, estava correndo desesperadamente daquela multidão nervosa de italianos super machões e famintos por umas bofetadas na minha cara. E eu corria, balançando os braços e gritando “Ognumo è gaioooo!!”. Foi quando de repente a multidão começou a fechar as saídas da avenida, vindo de todos os lugares. É, os italianos são mais espertos do que eu imaginei: enquanto uma parte corria atrás de mim, a outra pegou um metrô até a próxima estação pra vir de encontro e me encurralar. É, me ferrei bonito. Consegui contar 34 mãos diferentes me batendo nos 198 primeiros socos que levei no rosto. Depois disso perdi a noção do que era a vida.

Vejo o lado positivo disso: peguei 1 mês de folga pela licença que o médico. Cheguei à conclusão de que o Ricardo e o Jenival, vendo que eu estava começando a ficar cansado, resolveram dar um jeitinho pra que eu tirasse umas férias. Isso é que é amizade!

No mesmo dia, felizmente, tive alta. Estava andando de muleta, com uma perna engessada, uma tala no dedo indicador direito, outra no mindinho esquerdo, outra no mindinho direito, duas no dedão esquerdo e uma no dedo do meio direito. Meu braço esquerdo estava deslocado e o direito quebrado. Mas peguei um mês de folga.

À tardinha, fui à lojinha de conveniências comprar algumas coisas pra comer, com a extrema dificuldade proporcionada pela muleta. Chegando lá, solicitei à única atendente que tinha lá, uma moça gorda, de cabelos louros e crespos e grandes, maquiagem forte e pele branca como de uma lagartixa, que me pegasse algumas coisas enquanto eu esperava. Foi quando uma outra mulher, de cabelo curto e crespo, baixinha, feição de invocada, bigode e sotaque bem puxado, chegou com uns pacotes na mão, jogou na cara da atendente e disse:

– Fica com essa merda! Não preciso de presentinhos seus, vaca!!

E saiu. A moça que estava me atendendo me disse com calma e simpatia:

- Moço, pode me dar um minutinho? Vou ali matar e já volto.

E saiu. Nesse momento eu gelei. Um grito no meio da rua e vários sons de socos, tapas, chutes, mordidas, puxões de cabelo e tudo mais começaram a soar lá na rua. E eu ali, com uma dificuldade imensa de me mexer. Infelizmente não vi a cena, porque quando eu cheguei a polícia já estava no meio, tentando fazer a atendente da lojinha parar de socar o ex-nariz da outra vagabunda. Dois minutos conversando com os policiais antes de voltar e dizer:

– Desculpe, moço! Vamos lá, vou pegar suas coisas.

Cheguei em casa um pouco transtornado, confesso. Era a primeira vez que vi tanto desejo por rolo de cabeças na minha vida. As pessoas pareciam mais que estavam em algum deserto sufocante e que o sangue alheio era uma grande garrafa de água infinita e gelada. Isso me fez entrar em uma pequena crise existencial durante alguns segundos.

Com aquela depressão toda, precisei assistir a algum filme para me acalmar. Foi então que eu liguei no único canal de filmes que funciona na minha tv à gato cabo. Para um dia de pura violência, nada poderia me fazer piorar. Estava nos créditos do filme que acabara de passar. Maravilha, vamos assistir um novo filme desde o começo. E qual era? “O Clube da Luta”.

Hoje estou um pouco melhor. A overdose de violência já passou. Espero que definitivamente, porque naquele dia eu me senti extremamente perturbado, com vontade de sair como um louco e socar a cara de todo mundo, igual fazem aqueles filhinhos de papai que vão pra balada só pra bater e arrumar confusão. Agora sei o que se passa na mente desses Pit-boys delinquentes juvenis. Eu estava muito querendo quebrar a cara do primeiro imbecil que aparecesse na minha frente, mesmo com o corpo todo quebrado do jeito que eu tava. Faço isso depois.

Pra finalizar, o último trote que atendi antes de pegar a licença:

EU: Alô.
SACANA: Aí, palhaço! Tô com tua filha aqui hein!
EU: Hum. Tá, vamos negociar. O que você quer?
SACANA: Eu quero grana! Um milhão pra começar.
EU: Um milhão?! Cara, pelo amor de Deus! Eu não tenho essa grana toda!
SACANA: Eu não quero nem saber! Vende seu carro, sua casa, pega os esquema do banco! Não quero nem saber, passa a grana, rapá!
EU: Mas tudo o que eu tenho é a minha filha!! Não tenho mais nada!
*grito de mulher no fundo* (confesso que os gritos estavam tão intensos e desesperados que até pensei se tratar de um trote real mesmo)
SACANA: Se ela é a única coisa que você tem, é melhor passar logo o dinheiro maluco! Tamo aqui com ela!
EU: Pelo amor de Deus! Não faça nada com ela!
SACANA: É melhor fazer tudo o que a gente tá falanu pra ninguém se machucar!
EU: A gente? Num tá só você aí?
SACANA: Eu, porra! Pára de graça, vai mano! Para de graça! Se tu quiser sua filha virgem ainda, é melhor fazer o que tamo falando, porra!
EU: Tamo? Num era só você? E bem… acho que minha filha vocês não devolvem virgem nem se quisessem. Afinal de contas, ela tem 3 filhos já.
SACANA: …
EU: Você não está com os meus netos não, né?
SACANA: Eu não, mas eles daqui a pouco tão aqui, maluco! Vai, anota aí!
EU: Anotar o quê?
SACANA: O que você tem que fazer, porra! Pra me dar o dinheiro.
EU: Mas e meus netos?
SACANA: Já fomos pegar, caralho!
EU: Mas eles moram na Alemanha!
SACANA: … puta que pariu, eu acho que é do esquema!
EU: Esquema? Que esquema?
SACANA: Você é dos homi!!!
EU: Dim-dim!! Certa resposta! Lombardi, o que ele vai ganhar?
SACANA: Fudeu! Corre, corre que os homi tão chegando!!

A operação não foi completamente bem-sucedida. Os policiais conseguiram prender 3 dos bandidos que participavam, mas o que estava falando ao telefone conseguiu escapar. Infelizmente.

Um grande beijo a todos vocês!!

Por: Ariel Salgado Nascimento.

============================================
As Inestórias de Epiriquidiberto – De vez enquando, aqui na Vida de um Universitário e no Castelo de Marfim.





Inestória: Sofrendo e Ardendo

2 08 2008

Olá, meus queridos! Como vão?

Bem, como vocês sabem, infelizmente perdi minha Carteira Nacional de habilitação por ser surpreendido por um filho duma burra de um policial que me parou para fazer o tal teste do bafômetro. Perdi minha CNH por comer bananas flambadas em demasia. Fazer o quê, né?

Enfim, já que perdi minha licença para dirigir, tenho que ir trabalhar de ônibus agora. Gosto de ler os adesivos que encontro colados no vidro: “Respeitar o idoso é respeitar a si mesmo” ou “Proibido fumar”. Mas a plaquinha que mais gosto é “Proibido o uso de aparelhos sonoros” de uma lei que foi feita em 1968. Será que em 1968 os legisladores já previam o aparecimento de certas pragas que entram nos ônibus para infernizar a nossa vida? Não sei, só sei que detesto gente burra e que fazem de tudo pra nos ferrar. Resumindo, detesto calhordas e velhas.

Estava eu socado naquela lata de sardinhas às 6 da manhã, cheirando a sovaqueira de todas aquelas pessoas que se esfregavam e suavam no mesmo calor humano que nos envolvia naquele sofrimento. Quando a coisa ta feia, vai uma dica: jamais pense na seguinte frase “Pode piorar?” (ou similares). Um trovão e uma baita chuva começou a cair lá fora. Bem, chuva pode não significar nada, mas acredite: pessoas que têm mais opções de ônibus esquecem esse fato e se socam mais ainda no primeiro ônibus que aparece. Fora as janelas fechadas, o sufoco ainda maior e aquelas pessoas que tem as pregas soltas, liberando aquele cheiro mortal pelo reto (o famoso pum). Como eu disse antes, jamais pense “Pode piorar”, principalmente pela segunda vez. Não bastasse o inferno que eu me encontrava, um rapaz de cabeça estranha, cabelo mais ainda e vestido com uma camiseta do Corinthians, sacou um Motorola V3 do bolso e ligou. Simples assim. Começou a ouvir umas músicas que, pessoalmente, detesto! O funk moía enquanto o safado balançava a cabeça de um lado pro outro. Depois de umas 4 músicas de letra pornográfica e que incita a violência, o rapaz mudou para o rap. Pronto, era só o que faltava: viajar no ônibus daquele jeito ouvindo um desgramento reclamando da vida e levantando dados sobre negros no Brasil. Não quero saber que 40% “dos nêgo” que nascem nessa cidade são presos sem justificativa. Naquela hora eu não queria saber de porra nenhuma, só de chegar logo no meu trabalho para sair daquele sufoco infernal. Quando o repertório de rap acabou, um forró rala-coxa começou com uma histérica gritando “CALYPSO!!” a cada 5 segundos. Foi o “ó”! Não agüentei e disse:

– Aí, safado!! Desliga essa porra que eu não sou obrigado a ouvir essa merda!!

– Ta falanu comigo, sangue-bom?

– Não, tô falando com o único tapado, orelhudo e sem noção desse ônibus, seu maldito!

– Eu?

– Desliga essa porra, seu merda!!

Não sei, eu estava muito nervoso, como puderam perceber. O rapaz olhou pra mim e gritou:

– Aí maluco, vou te dar uma bifa!

– Vem aqui! Se você conseguir, né? Desliga essa porra antes que todo mundo aqui quebre essa sua cara!

Nesse momento a galera começou a se agitar. Sentindo que estavam do meu lado, eu me senti mais forte. Foi aí que o cobrador entrou no meio:

– Desliga essa porra, vagabundo! Tinha que ser corintiano! Desliga essa merda, não sou obrigado a ouvir essa bosta!

Na hora, o rapaz desligou e desceu no próximo ponto. Safado.

Cheguei no trabalho e fui muito bem recebido pelo pessoal. Ufa, pelo menos, quando a gente sai daquele inferno do ônibus, descobrimos que nada é pior. Mas isso até que foi bom: cheguei inspirado pra ferrar com os filhos da mãe que passam trote de seqüestro.

Na hora do almoço, saí com a Maria José para dar uma olhada nos filmes que vendem na rua do prédio da CATS. Me interessei por um que estava lá: “Batman: o Cavaleiro das Trevas”. Perguntei para o vendedor:

– Mas esse filme não está no cinema?

– Tá sim, doutor. Mas sabe, né? Aqui a gente só trata com novidade!

– E a qualidade tá boa?

– Tá sim senhor! Parece até que está assistindo no cinema!

– E você teria algum outro filme bom aí?

– Olha, filme bom eu tenho todos, mas interessante ao doutor eu tenho alguns que a senhorita aí não gostaria de ver.

– E você pode me mostrar?

– Claro! Ô Dente!! Traz lá o filme pro homem! Filme de homem!

Eu fiquei ali parado esperando o tal “Dente” trazer o filme. De repente chegou aquele cara, aquele mesmo que de manhã eu queria socar a cara por estar ouvindo aquelas merdas, aquele corintiano safado. Ele trouxe um DVD. Olhou pra mim, tomou um susto e disse:

– Você não é o viado que queria me socar hoje no ônibus?

– Não. – respondi, com sagacidade.

– É você mesmo, mano! Você é o viado que tava incomodado com minhas músicas!

– Não. Era eu mesmo quem queria te socar, mas o único viado aqui é você. – respondi pro malandro.

– IIIIIIIHHHHHH ÉEEEEEEEHHHHHH!!! – gritou o vendedor, agitando a confusão.

– Só não te pego de pau, maluco, porque você vai comprar essa merda desse filme de homem.

O cara deu o DVD pro vendedor que sorriu e disse:

– Esse Dente não tem jeito mesmo. Liga não, não bate nem numa pulga. Posso colocar?

– Pode! – respondi.

– Mas a senhorita que está com o senhor não vai se incomodar? – perguntou.

– Não, está tudo bem – respondeu a Maria – eu vi meu pai fazendo meu irmão… com a vizinha… então não tem problema!

O vendedor ligou o DVD, colocou o disco e a imagem começou, com letras garrafais: “ESTE FILME É DIRIGIDO APENAS AO PÚBLICO MASCULINO”. E começou o filme. E que filmaço!! Filme de macho mesmo! Um filme que passava a seleção brasileira de 1970 ganhando a copa do mundo. Todos os lances. Todas as jogadas. As melhores que já vi na minha vida.

– E não tem perigo eu levar esses DVDs não?

– Problema nenhum, doutor.

– Mas eles são falsos!

– São não senhor. Eles são legítimos! Legitimamente feitos na minha casa! Não tem erro!

De repente um grito soou ao longe: “OLHA O RAPA AÍ MANO!!! CORRE NEGADA!!!”

Em menos de 3 segundos o vendedor recolheu a mercadoria, pediu-me desculpas e saiu correndo, juntando-se à multidão de camelôs que também corriam dos PMs que invadiam as ruas. A boa notícia é que o cara esqueceu o filme comigo.

Cheguei no trabalho inspirado mais do que nunca. Foi então que minha linha tocou! Ah, finalmente um trote pra eu sacanear! Ei-lo:

SACANA: Ambrósio?

EU: Ele.

SACANA: Ambrósio, é o seguinte! Tamo co teu filho aqui maluco!

EU: Meu filho? Oh, meu Deus! Meu filho está maluco??

SACANA: Não, eu tô com ele aqui!

EU: Ah, entendi. E aí?

SACANA: Eu quero dinheiro, mano! Dinheiro!

EU: Eu também quero.

SACANA: Não brinca comigo, sangue-bom!

ALGUÉM NO FUNDO: AAAAHHHH PAI!! ELE TA APONTANDO A ARMA PRA MIM!!

SACANA: Eu não tô brincando! A casa vai cair pro seu lado, hein! Eu sei onde você mora!

EU: Então fala! Fala aonde eu moro!

SACANA: …

EU: Viu! Se você quiser matar meu filho, mate, porra! Mas depois agüenta as conseqüênciasssss, viu? Viado! Bicha!

SACANA: Você tá achando que isso é brincadeira, né? Que é trote, né?

EU: Tô nada! Se fosse trote você não saberia o nome do meu filho! Você sabe, né?

SACANA: Vitor Alves!

EU: Olha, você está afiado, hein viado!

SACANA: Vou matar esse condenado!

EU: Ah, você disse que sabe meu endereço. Mata meu filho, mas não vem aqui atrás de mim, hein!

SACANA: Por que? Acha que vou deixar você em paz??

EU: Não. Porque eu sei onde você mora.

SACANA: …

EU: Rua dos Clementes, altura do número 560, próximo a uma loja Renner.

SACANA: Você…

EU: Eu não, “os homi”. Cinco, quatro, três, dois, um… Tchauzinho!!

Um barulho arrombou a porta. A polícia federal acabava de invadir o local de onde estavam passando o trote. Foram presos 3 homens que haviam resgatado as informações da vítima no Orkut. O pai, Ambrósio, só havia percebido que se tratava de um trote quando ligou de um celular para o filho e garantiu que ele estava bem e seguro em seu trabalho.

Bom, por hoje é só. Eu fico por aqui. Um grande beijo a todos vocês e até a próxima!

Por: Ariel Salgado Nascimento.

============================================
As Inestórias de Epiriquidiberto – Todas as quartas-feiras de noite, aqui na Vida de um Universitário e no Castelo de Marfim.





Inestória – E o tempo passa…

3 07 2008

Olá meus queridos!

Faz um tempinho que não nos falamos (desde o fim do ano!). Pois é, desde quando entrei na CATS minha vida mudou!

No entanto, tenho uma má notícia. Tenho uma boa também, mas como o clássico, vou começar com a má: a garota que era rastreadora da minha mesa morreu. Um rato mordeu o dedo dela quando a casa dela foi invadida por uma população de camundongos de esgoto. 781 ratos invasores, para ser mais exato. É que onde ela morava há 22 anos não baixava fiscalização de saneamento básico, formando assim uma população imensa de ratos, baratas e outras pragas que não conseguiram se suportar no esgoto e tiveram que invadir alguma casa. A dela foi escolhida. E um deles mordeu o dedo da moça. Triste fim.

A boa notícia é que com a morte dela, contrataram uma garota nova para trabalhar comigo. A mais linda que eu já vi na vida. A moça é uma moça direita: tem leves paralisias do lado esquerdo do corpo. Tem os traços finos, pele lisa como a de um damasco, voz suave e fanha, como a de um anjo. Usa pequenos e delicados óculos de 7 graus míopes que combinam com o rabo-de-cavalo que ela sempre usa. O nome dela é Maria José Antônio da Silva. Foi amor à primeira vista.

Juntos nós fazemos uma ótima equipe. Sempre que há um trote pra minha linha, ela ri de tudo o que eu falo. Tem ótimos papos, sabe até a tabela do brasileirão! Tudo bem que ela torce pro Corinthians, por isso a única tabela que ela segue é a da série B. Mas tudo bem, isso faz parte.

Outro dia estava eu na minha mesa. Quando ela vai ao banheiro, sempre empurra a cadeira pra trás, dizendo “vou fazer um pip’s e já volto”. Só que neste dia, era eu quem queria ir ao banheiro. E o pior: era pra fazer o número 2. Como eu ia falar isso pra ela?! “Vou fazer um pop’s e já volto”? Não. “Vou fazer um coc’s” também não rolaria, perderia o encanto. Bem, rezei bastante até que Cyril, nosso Takayama, resolveu me iluminar: “Maria, eu vou ali e já volto.” Mas ela, de modo sutil e sem malícia, perguntou: “Vai fazer o quê?”. Rapidamente, já a alguns passos longe dali, respondi com o clássico: “Vou passar um fax”.

Entrei na cabine e me livrei da aflição. Enquanto eu “deixava a trança cair”, ficava de ouvidos atentos. Talvez vocês, mulheres que estão lendo este texto não saibam, mas todo homem segue uma lei específica, a lei do CH (Código do Homem). O Artigo 172 §2º diz que “Enquanto estiver o homem em seu trono, aliviando-se de suas necessidades fundamentais – cagando ou punhetando – deve lembrar de fazer isso em silêncio, salvo nos casos em que se tratar de banheiro individual”. O banheiro da CATS costuma ficar com a luz desligada. Liga para usar e desliga quando sair. Só que se tiver uma porta de alguma cabine fechada e a luz acesa, com certeza tem alguém usando. Só que alguns espíritos-de-porco, mesmo sabendo disso, entram no banheiro, fazem o que tem que fazer e vão embora, desligando a maldita luz logo em seguida. Não que fazer cocô no escuro seja ruim. O ruim mesmo é ter que limpar sem enxergar nada. Minha sorte é que o meu celular estava comigo. Deixei o display dele aceso e fui feliz.

Sexta-feira eu fui para um barzinho com o pessoal. Na volta, enquanto eu levava a Maria pra casa, fui parado por uma blitz. Fiquei arregaçado de medo, já que meu trauma desde a última blitz ainda não estava sanado. O policial pediu para que eu saísse do carro e colocasse minhas mãos no capô. Me revistou, pegou meus documentos e pediu para eu baforar. Neste momento, passou do outro lado da rua, uma mulher de mini-saia com uma bolsa na mão. Em seguida um motoqueiro parou, saiu de sua moto e começou a dar fortes tapas na cara da moça. Depois começou a fazer coisas pervertidas com ela, tudo isso na frente do policial que estava medindo o meu bafo. “Não vai fazer nada?!” perguntei. Sagaz, ele respondeu: “Eu estou ocupado medindo teu bafo. Prendo você primeiro, depois prendo o outro meliante. E se continuar a falar merda vou te prender por desacato, hein!”. O motoqueiro terminou de estuprar a moça, pegou a bolsa dela, montou na moto e foi embora. Eu, por passar raspando, fui detido por beber um pouco a mais. No dia seguinte saí com um registro na ficha. Vai entender!

E, para finalizar, um trote atendido por mim.

SACANA: Alô, Cleverson!

EU: Sou eu.

SACANA: Cleverson, é o seguinte, seu puto! Estamos com o seu filho!

EU: Vamos parar com os xingamentos, por favor.

SACANA: Eu estou com o seu filho e vô matá ele se você num fizer o que eu to falando.

EU: Eu não entendi o porquê você me chamou de puto.

SACANA: Presta atenção, maluco!

EU: Puto maluco? Sou praticamente um pederasta!

SACANA: Que?

EU: Pederastia, rapaz! Não sabe o que é isso?

SACANA: Não interessa, para de fugir do assunto, porra! Presta atenção no que eu vou dizer.

EU: Pederastia foi o que seu pai praticou pra te fazer.

*Alguém berrando no fundo*: AAaaahh pai! Ele cortou minha orelha fora! Ele cortou!

SACANA: Eu disse que era pra prestar atenção, cacete!

EU: Você cortou o quê?

SACANA: A orelha.

EU: O quê?

SACANA: A orelha.

Eu: O quê?

SACANA: A orelha.

EU: O quê?

SACANA: A orelha.

Eu: O quê?

SACANA: A orelha.

EU: O quê?

SACANA: A orelha.

Eu: O quê?

SACANA: A orelha.

EU: O quê?

SACANA: A orelha.

Eu: O quê?

SACANA: A orelha.

EU: O quê?

SACANA: A orelha.

Eu: O quê?

SACANA: A orelha.

EU: O quê?

SACANA: A orelha.

Eu: O quê?

SACANA: A orelha.

EU: O quê?

SACANA: A orelha.

Eu: O quê?

SACANA: A orelha.

EU: O quê?

SACANA: A orelha.

Eu: O quê?

SACANA: A orelha.

EU: O quê?

SACANA: A orelha.

Eu: O quê?

SACANA: A orelha.

EU: O quê?

SACANA: A orelha.

Eu: O quê?

SACANA: Olha, eu cortei a orelha do seu filho, não a sua.

EU: É mesmo. Mas o que você cortou dele mesmo?

SACANA: A orelha.

Eu: O quê?

SACANA: A orelha.

Eu: O quê?

SACANA: A orelha.

Eu: O quê?

SACANA: A orelha.

Eu: O quê?

SACANA: A orelha.

Eu: O quê?

SACANA: A orelha.

Eu: O quê?

SACANA: A orelha.

Eu: O quê?

SACANA: A orelha.

Eu: O quê?

SACANA: A olhera.

Eu: Ah, errou!

SACANA: Escuta aqui, eu cortei a orelha do seu filho! Não ta preocupado se ele vai te ouvir?

EU: É verdade. Mas acho que mesmo sem orelha dá pra ouvir, né? Pergunta lá pra ele se ele consegue escutar sem orelha.

SACANA: Eu cortei a orelha do seu filho e você não vai fazer nada?

EU: Hum… Faz o seguinte, corta o pinto dele fora. O maior sonho dele é ser eunuco. Realiza isso pra mim, por favor?

SACANA: Ah, saquei! É do esquema! Sujou! *Click! Tu, tu, tu, tu…*

Um beijo a todos vocês! Até breve!

Por: Ariel Salgado Nascimento.

====================================================
As Inestórias de Epiriquidiberto – Todas as quartas-feiras de noite, aqui na Vida de um Universitário e no Castelo de Marfim.





Inestórias: Chill Bill da Morena

18 05 2008

Olá, meus queridos! Tudo bem com vocês?

Ah, estamos chegando no Natal! Como eu adoro esta época! Me faz lembrar de quando eu era pequeno e ficava esperneando para a minha doce mãe comprar um cinto do Kamen Raider Black da Glaslite no Mappin. Talvez este seja um trauma de infância que carrego: todos os Natais que passei, papai Noel nunca me dava o que eu pedia. Aí eu pedia pra minha mãe e ela também não dava. E assim eu apelava pro meu pai que também negava. Terminava por espernear no Mappin.

Mas esse papo de final de ano começou porque eu quero lhes contar o que acontece lá no trabalho. Há uma festa de confraternização com os funcionários. Fomos todos a um barzinho do bairro chamado “Chill Bill da Morena”. Começamos então a beber algeres e contentes, brincando e dando muita risada da profissão que exercemos. Jogamos sinuca, truco, bebemos tequila, caipirinha, caipiroska. Foi quando em um determinado momento, um sujeito chegou pra mim e disse, com a voz pesada de bêbado:

– Eu comi a sua mãe!!
Sagaz, tranquilo e confiante, eu pedi:
– Por favor, me dê licença! Estou aqui com os meus amigos e não quero atrapalhar.
– Cala boca seu fedelho!! Eu acertei sua mãe direitinho!! Peguei ela de jeito! — repetiu o sujeito.
– Meu, na boa, estou aqui sossegado e não quero que você atrapalhe minha saideira com os amigos!
– Ah se fudê, rapá! Eu comi tua mãe e você num vai fazer nada, seu frouxo!!
Foi nesse momento que eu perdi a calma. Dei um tapa na mesa, segurei o cara pelo braço e disse:
– Dá licença, pessoal! Tenho que levar meu pai pra casa! Ele já bebeu demais por hoje!
Mas, ao contrário do que eu esperava, o pessoal disse:
– Hey Cente! Deixa seu pai aqui!
– É, chama o camarada pra gente tomar umas aqui com ele!
Mesmo sabendo que isso ia dar merda, resolvi fazer o que eles pediram. Afinal de contas, éramos todos homens adultos e nada poderia dar errado. E por quê daria?
Estava tudo indo muito bem, rimos mais ainda, meu pai falava certas coisas que particularmente me deixava envergonhado (afinal ninguém quer saber como seu pai e sua mãe te fizeram), mas estava tranquilo. Até a hora em que meu pai se levantou, andou cambaleando até o bartender e disse a ele:
– Eu quero uma aposta!!
O bartender olhou pra ele, meio desconfiado.
– O senhor já bebeu além da conta. Precisa ir pra casa!
– Não saio daqui até vencer uma aposta contigo, homem!
O bartender deve ter achado que ganhar uma aposta de um bêbado no estado do porco (lembrando dos estados da embriaguez descritos mais abaixo) era fácil. Resolveu aceitar:
– Muito bem, o que temos?
– Eu apozzzto zem real com vozê que vozê num conzegue mijá neze copo que vou deijar no jão!!
Meu pai tirou um copo americano do bolso. O bartender deu um sorriso e abriu a braguilha. Meu pai, com certa dificuldade, colocou o copo no chão. Em poucos segundos, o bartender encheu o copo sem muitas dificuldades. Deu um sorriso e pegou os cem reais do meu pai. Vendo que o velho tinha mais dinheiro, o bartender apostou:
– Eu dobro a aposta e pago bônus de 3 dias no open bar se VOCÊ conseguir mijar dentro desse copo. Se você não conseguir, me paga 200 reais. Se conseguir, te pago 250 e open bar por 3 dias.
E colocou o copo no chão. Meu pai apertou a mão do sujeito, abriu a braguilha e começou a mijar. Mijou no balcão, escorreu para as mesas, cadeiras, caiu no chão e escorreu até chegar no ralo, mas não acertou o copo. O bartender deu um sorriso grande e pegou os 200 reais do meu pai.
– Essa foi moleza! Hey, por quê apostou comigo sabendo que ia perder 300 mangos? — perguntou o bartender ao meu pai.
– Tá vendo aquele pessoal ali? — apontou o velho pra gente — Então, eu apostei com eles 600 real que eu mijaria o bar inteiro enquanto você dava risada!

Tudo bem, fomos expulsos do bar. Mas foi uma noite muito divertida. Agora, relembrando os estados da embriaguez:

= ESTADO DO MACACO =
O sujeito bebe pra ficar alegre. É o que mais acontece nas baladas e saideiras. Sinceramente é o que eu faço! Bebo pra ficar alegre. Não é considerado “passar da conta” e por isso o Direito Penal pune crimes cometidos por esses caras.

= ESTADO DO LEÃO =
Esse aqui o cara bebe pra virar macho. Quer brigar com todo mundo. Briga e depois chora. Pra esse qualquer um é amigo dele. Algumas vezes o Direito Penal pune, mas outras vezes não pune. Pune quando quer brigar, mas não pune quando está chorando dizendo que é amigo de todos.

= ESTADO DO PORCO =
O cara nem sabe mais quem é ele. Deitar e ficar esparramado no chão é a melhor coisa que ele sabe fazer. Não fala direito, não tem sensibilidade e não lembra de nada que aconeteceu no dia seguinte. Assim estava meu pai. E não, o Direito Penal não pune esses caras de jeito nenhum, já que não sabem o que estavam fazendo. Mas interna. Isso é que é legal!

Depois de sairmos do bar, meu pai entrou no carro deu a partida. Imediatamente eu puxei o velho de dentro.
– Cê tá louco?!? Não vai dirigir assim nem a pau!
– Me larga! Eu quero ir! Quero iiiihhh….
Bom, nesse momento ele começou a dormir. Como fedia esse cara! Joguei-o no banco de trás, me despedi do pessoal e fui pra casa levá-lo embora.
No caminho, um policial me pára e pede a documentação. Depois que eu entreguei-lhe a CNH e os documentos do carro, ele olhou para dentro do carro e viu meu pai lá jogado no banco de trás.
– Quem é o sujeito? — perguntou pra mim.
– Meu pai! — respondi — Ele está caindo de bêbado.
– Arght! Pelo visto você também tá ruim hein! Que bafo desgraçado! Vou ter que autuar!
– Não, pelamor de Deus, seu guarda! Num autua não!
– Não tem como não fazer isso! Cê tá fedendo a álcool destilado!!
– Não, senhor! Eu não estou fedendo a álcool destilado só não. Do outro lado também deve estar cheirando mal — eu disse, sem ter a mínima noção do perigo.
– Desce do carro! — mandou o policial.
Na minha cabeça só passava apenas uma palavra: “FODEU!”. Ele colocou minha cabeça no capô do carro e disse:
– Você acha que eu gosto de ficar brincando com bêbados?
– Foi só uma piada, chefia!
– Piada é o caralho!! Piada é o caralho!! Vou te mostrar que cu de bêbado não tem dono, seu viado!
Nessa hora uma outra viatura chegou (pra me salvar (ou não)). Um outro policial saiu enquanto o outro dormia dentro da viatura.
– O que tá havendo? — perguntou para o Policial 01.
– Eu peguei esse viado dirigindo embriagado! — respondeu ao 02.
Sem mais nem menos, os dois começaram a me dar tapas. Eu não sei o que estava havendo, mas eu acho que eles gostam de bater em bêbados. Foi quando encostou um homem na gente:
– Ei! Ei! Vocês estão batendo nele? — perguntou o homem.
– Sim, e daí? O que você vai fazer? — perguntou o policial 02.
– Vocês não podem fazer isso! Vocês são policiais! Estão batendo em um cidadão que não apresenta perigo algum!
– Você tá louco? — começou o 01 — Tá querendo dizer o que a gente deve ou não fazer?
Os dois cercaram o homem e começaram a bater com força nele também. Sem forças, só fiquei observando a cena sem poder fazer mais nada.
– E agora? — disse o 01 dando um super-tapa na cara do homem — E agora, o que você vai falar pra eu fazer, hein seu viado?!
– Arght… Você… Vá tomar banho!!
Eles riram e socaram mais uma vez o homem. Dessa vez foi o 02 quem perguntou:
– E agora? O que me manda fazer?
– Você… Vá se fuder! Vá tomar no cu!
Socaram um pouco mais o cara até cair a carteira de documentos dele. O policial 01 pegou e olhou os documentos pra ver se já tinha passagem. Foi aí que ele tomou um grande susto:
– Iiihh!! Puta que o pariu, fodeu, porra! Que merda, caralho!!
– O que aconteceu? — perguntou o 02, parando de bater no homem.
– O cara é Supremo Marechal das Forças Militares e Civis do Estado de São Paulo!!!
– PUTA MERDA!!! E agora, o que a gente vai fazer???
– Você eu não sei, eu vou é tomar meu banho que ele mandou!

Depois de passar pela delegacia, prestar queixa e depois passar no hospital e ficar um tempo lá, voltei à ativa. Hoje estou bem, apesar de uma forte dor de cabeça e alguns olhos roxos.

E agora, como eu havia prometido, lá vai um trote atendido por mim:

ELEMENTO: Alô! Aí patrão, é melhor não me enrolar
*choro de alguém lá no fundo*
EU: Quem tá falando?
ELEMENTO: É o seguinte, truta! Nóis tamo com teu filho aqui e num vamo largá ele não hein! É melhor fazer o que eu tô mandando se num quiser que ele saia com os dedo rancado!
EU: Por favor, mantenha a calma! Não machuquem meu filho!
ELEMENTO: Truta, passa tua conta que eu to ligado que cê tem conta!
EU: Posso falar com meu filho?
ELEMENTO: Aí carai, to falando sério truta! Passa os esquema da tua conta senão esse féla da puta vai acordar com a boca cheia de furmiga!
EU: Cacete! Você fala mal demais! O senhor por acaso é corinthiano?
ELEMENTO: Sou flamenguista!
EU: Só podia ser dessa laia aí. Tudo igual! Deixa eu falar com meu filho, porra!
ELEMENTO: Se tu num passá a porra dos esquema eu mato ele!
*Aaahh! Mãaaae!!! Me ajuuda mãaaaae*
EU: Ele gritou “mãe”?
ELEMENTO: Hum…
EU: Que estranho, ele não tem mãe! Ele é adotado! Por um casal de gays! Ele tem dois pais.
ELEMENTO: !!!
EU: Deixa eu falar com ele agora?
ELEMENTO: Vai se foder, vou matar teu filho!
EU: Então mata a porra do meu filho, seu viado!!
ELEMENTO: Eu tô falando sério! Eu vô matá ele!
*Waaahh!! Pai, ele vai me matar!!*
EU: Pai?! Ele me chamou de pai?
ELEMENTO: Chamou.
EU: Mas ele num tem pai! Eu sou o tio dele! Ele é adotado!
ELEMENTO: Tu tá querendo me enrolar! Eu mato ele!
EU: Mata, faz esse favor pra mim! Mata que eu vou adorar! E depois que matar, que tal vir atrás de mim. Vem atrás de mim, mas bem gostoso!! Uh, delíiiiicia!!!
ELEMENTO: Fodeu, o cara é biba! É do esquema! Atividade! Atividade que os homi tão vindo pra cá! Atividade porra! Ati… *Click* tu, tu, tu, tu, tu…
Em uma operação que demorou 5 minutos, os dois meliantes foram presos em Copacabana, RJ.

Um beijo a todos vocês e até a próxima!!

============================================

As Inestórias de Epiriquidiberto – Todas as quartas-feiras de noite, aqui na Vida de um Universitário e no Castelo de Marfim.





Esclarecimento: Inestórias

9 05 2008

Pessoal, estou aqui para esclarecar algumas coisas! Parece que muitos de vocês, ao lerem as Inestórias, pensam que tudo o que acontece lá, aconteceu comigo. Mas isso é uma inverdade! XD Essas são as Inestórias de Epiriquidiberto, que, como foi descrito no primeiro episódio, têm como objetivo “satirizar temas polêmicos e massificados”. Elas normalmente vão ao ar toda quarta-feira, aqui no A vida de um universitário e no Castelo de Marfim.

Portanto, agora já sabem! Quando verem algum conto aqui que é relativamente impossível de acontecer, é mais um capítulo das Inestórias! Elas sempre estarão marcadas com a categoria “Inestórias“, mas, se preferirem, eu também posso indicar no título do post que é mais uma delas, o que acham? Deixem nos comentários a opinião de vocês! =)





O novo emprego: CATS

8 05 2008

Olá, meus queridos! Como estão vocês?

Desculpem-me pelo sumiço constante. É que finalmente eu encontrei um emprego que não me tratam como um cachorro, onde os funcionários colegas são todos agradáveis e o chefe é um amor de pessoa! Sim, este lugar existe! Trabalho como um atendente da sede da CATS. Não, não se trata de nenhum hospital veterinário nem nada do tipo onde cuida-se de gatos. Não, não! CATS significa Centro de Atendimento ao Trote de Seqüestro. Lá, os atendentes como eu tratam com criminosos da pior espécie que agem da forma mais covarde possível. Eles passam trotes pra casa das pessoas dizendo que estão com seus filhos e que vão matá-los se não fizer o depósito em alguma agência bancária ou qualquer outro meio por eles acessível (obrigam a passar número do cartão, senha e tudo mais). E vou falar o motivo de tal harmonia no ambiente de trabalho: na CATS nós não paramos de rir. Sim, rimos! E rimos muuuito! Rimos porque conseguimos sacanear os sacanas que tentam sacanear as pobres pessoas que são pegas nesse trote. É a pura sacanagem! Vou dar um exemplo pra que vocês consigam saber o que se passa.

No meu primeiro dia, recebi um telefonema. Sim, precisava trabalhar! A garota do meu lado gritou: “TEMOS UM TELEFONEMA!” e todos que estavam ociosos pararam para ouvir. Era um garoto que estava chorando bastante. Ele disse:

– Pai? É você?
– Sim, sou eu. — respondi ao garoto frouxo do outro lado da linha.
– A Marinete (suponho que seja a empregada que repassou o telefonema pra nós) falou alguma coisa?
– Não, ela só disse que era você! O que aconteceu, meu filho? — perguntei como haviam me instruído.
– Eles me levaram tudo, pai! Eles me estupraram! E agora estão aqui com o revólver na minha cara! Socorro, me ajuda!
– Mantenha a calma, meu filho! Por favor, mantenha a calma!
Nesse momento, a minha colega, responsável por obter os dados da ligação, fez o sinal de positivo pra mim, indicando que a equipe da polícia federal já estava caminhando para o local da ligação rastreada e que eu já poderia desligar o telefone. O garoto deu um grito:
– Aaahh!! Pelo amor de Deus!
– Calma, filho! Faz o seguinte: você já falou com o Diabo hoje?
– O quê?!
– Já falou com o Diabo? Ah, não? Então vá pro inferno, seu viado! Frouxo!

Nesse momento desliguei a linha. O pessoal começou a rir e me enturmaram, dizendo que eu já estava infiltrado na manha deles.

Na CATS é superlegal! Existem 20 mesas. Cada mesa possui dois funcionários: o atendente e o rastreador. Eu sou o atendente e meu instrumento é o PABX. A minha colega, Floribella, é a rastreadora. E que rastreadora, hein! Mulher linda, olhos azuis e cabelos cacheados e pretos! Um corpinho lindo! Vocês precisam ver! Ela usa o computador pra rastrear a ligação e mandar uma equipe da Polícia ao local. O serviço tem dado muito certo. Veja, até copiei nossa propaganda:

INSTRUÇÕES: Ao receber uma ligação a cobrar de alguém chorando ou desesperado, pergunte assim “X, é você?!” com a voz desesperada e trocando X por um nome qualquer que não seja o de seu filho. Assim que você identificar que se trata de um trote (com a confirmação do nome que não é o real), fale que vai passar o telefone pro pai/mãe dele e tecle *1234##00 para PAI e *1234##01 para mãe. Sua ligação será transferida pra CATS onde binaremos e rastrearemos o número para prender o meliante. Nossas equipes trabalham 24h por dia em todos os lugares e ruas do Brasil. Basta fazer o cadastro gratuito de sua linha telefônica que este serviço estará disponível. Nos passaremos por pais desesperados para no final dar um “crau” nos bandidos.

Somos apoiados pelo Estado e recebemos patrocínio da União. Ainda não somos funcionários públicos porque mesmo bancada pelo Estado, a CATS é uma empresa particular. Superlegal mesmo!

Bem, apesar de estar acostumado com meu antigo almoço de 10 minutos, exagerei na conta deste almoço de 1 hora. Mas prometo trazer a vocês mais novidades sobre meu novo emprego! Fiquem ligados, cada dia terá uma frase muito boa que você mesmo pode usar caso um desgraçadinho desses ligue pra sua casa.

Um beijo a todos vocês! Até a próxima!

============================================

As Inestórias de Epiriquidiberto – Todas as quartas-feiras de noite, aqui na Vida de um Universitário e no Castelo de Marfim.





A demissão: um estranho no ninho

8 05 2008

Bom dia, boa tarde, boa noite, meus queridos!

Finalmente venho a falar com vocês, depois de um longo período. Falo já o motivo de tanto afastamento. Antes eu queria agradecer ao Pedro por me dar uma boa resposta à pergunta “Por que a galinha atravessou a rua?”. Muito simples! Simplesmente porque a rua não pode atravessar a galinha!

Agora vamos ao que interessa. Estou muito tempo afastado porque fui demitido. Sim, meu serviço de escravo acabou. Depois de uma semana de trabalho forçado e passando por poucas e boas (inclusive enfrentando a raça maldita de velinhos crus), fui demitido. Motivo? Bem, não sei bem ao certo, mas isso coincidiu com o término das dívidas atrasadas do chefe, com a tensão que havia nas costas dele acabar e com uma série de outros fatores. O caso é que simplesmente o chefe chegou pra mim e disse: “Bom, eu não gostei do seu trabalho, achei você muito cru e não está trazendo bons frutos para a empresa. Desse jeito não podemos continuar. Você faz cada besteira que eu não consigo entender! Desde quando uma dívida que vence sábado pode ser paga na segunda?? Só na sua cabeça mesmo! Não dá pra continuar. Apareça segunda-feira para acertarmos! Tchau!”.

Segunda-feira da outra semana eu fui receber o que eu tinha lá. Meu salário-base era de R$420,00 sem vale-transporte e sem vale-refeição. Com as horas-extras que eu fazia (geralmente 3 horas por dia) dava pra tirar uns… R$0,00 (eles não pagavam HE). Trabalhando por uma semana, mais décimo-terceiro e férias, eu deveria receber uns R$130,00 (por volta disso). Segunda-feira eu passei lá pra receber meu cheque: R$100,00. “Está esperando o quê?” perguntou ele quando eu recebi o cheque e fiquei parado na frente dele. “O resto do valor”, respondi. “Você entra aqui na minha empresa, trabalha feito um preguiçoso mau-humorado e ainda quer receber mais? Dê-se por feliz, seu infeliz!”. Eu olhei com ódio pra ele. Mas ele olhou com mais ódio pra mim. Baixei a cabeça. Mas de pirraça eu continuei ali parado. Ele veio na minha direção e começou a me empurrar. “Fora! Fora! Rua!” dizia ele. Eu dei um tranco e disse: “Olha só como você me empurra! Parece mais uma borboleta!”. Ele olhou furiosamente pra mim e disse: “Não é nada pessoal, mas vou ser obrigado a aplicar-lhe um soco.”. E me bateu. Na cara! Olhei e debochando disse: “Com quem você aprendeu a bater desse jeito? Até a sua irmã bate melhor! Toda noite ela me pega de jeito!”. Realmente eu não sabia que eu tinha capacidade de falar algo assim. Mas ele se esquivou: “Heh, eu não tenho irmã, seu idiota!”. Mais que depressa eu disse “Noooossa! Então sua mãe me enganou! Eu pego aquela vaca!”. Ele lançou a cadeira em mim. Eu desviei e lancei-lhe a primeira coisa que encontrei: um carrinho de rolemã. Ele desmaiou com a boca totalmente sem dentes. Abri bem as pernas dele e pisei 58 vezes com todas as minhas forças nos ovos daquele desgraçado. Depois peguei as caixas de som do computador dele, coloquei próximo do ouvido dele e aumentei o som. Aumentei muito o som. Totalmente. Liguei a música que eu mais gosto de ouvir (que se tornou um hino pra mim naquele momento): Rage Against the Machine – Killing in the Name. Enquanto eu gozava daquele momento, duas pessoas me agarraram e me levaram para um local onde só depois de 2 dias pude perceber do que se tratava: um sanatório que fica na região do Taboão da Serra, SP.

Quatro dias depois e eu ainda ria da situação. Chorava de tanto rir. Tudo aquilo que passei, toda a humilhação, todos os momentos difíceis. Sabe, meus queridos, eu me esforçava pra poder mostrar um dia aos meus filhos um quadro de “funcionário do mês”. Mas todo o meu esforço, toda a minha dedicação foi cruelmente esmagada pelos pés gordos daquele moncorongo que só queria me usar o tempo inteiro. Sim, eu ria! E poderia continuar rindo durante mais dois meses. Juro que poderia!!

Um dos dias que eu finalmente parei de rir, fui dar uma voltinha. Vi os loucos, tão felizes como eu, mergulhando e brincando. Foi quando eu esbarrei em um grandalhão que automaticamente cuspiu em mim e insultou “Bicha!”. Um outro louco olhou e começou a rodopiar gritando “ÊEEEPA! ÊEEEPA!! Veja lá como fala, sua sirigaita! Bicha não! Eu sou uma quase Maria do Bairro”. De repente uma música de fundo começou a soar, cantando uma letra mais ou menos assim:

*TAN-TAN-TAN*

Y a mucha honra María la del Barrio soy
La que de escuincla quedó resola
Y pa’ cambiar su suerte
De su barrio querido se fué
Pa’ poder comer
Maria, Maria la del Barrio no, no llores más

Depois de um piti estranho, a bicha começou a rebolar no som da música. Imediatamente uns vinte loucos ficaram atrás dela, imitando, como uma coreografia ensaiada. A música parou. De repente começou a tocar Thriller do Michael Jackson. E eles dançaram como se tivessem ensaiado tudo. Foi bizarro.
Resolvi passar o resto dos dias no meu quarto. Eu lembrei da Mary. Ela era legal, me dava forças pra continuar a trabalhar. Lembrei também do grandioso Cyril, o nosso Takayama. Resolvi orar por ele. Foi quando eu lembrei do meu ex-chefe. Foi um momento muito difícil pra mim. Consegui parar de rir só depois de 20 dias.

Algum tempo depois eu finalmente consegui provar minha sanidade. Tudo o que tive que fazer foi ver uma seqüência de fotos dele sem dar risada. Foi um sufoco, mas consegui depois de 17 tentativas. Saí do sanatório com um processo de Lesão Corporal nas costas. Vou recorrer, já que fiz isso unicamente para defender a minha honra. Tenho medo só de chegar na audiência e cair na gargalhada ao ver aquela cara gorda toda socada e o saco dele todo inchado e estourado de tanto tomar chute.

Bem, meus queridos. Creio que consegui explicar a minha ausência. Agora estarei de volta com vocês. Quero também conhecer gente nova, por isso peço que publiquem minas (in)estórias, ok?

Um beijo a todos!

============================================

As Inestórias de Epiriquidiberto – Todas as quartas-feiras de noite, aqui  na Vida de um Universitário e no Castelo de Marfim.





Saidera com Mary

24 04 2008

Olá meus queridos! Como vão vocês?

Bem, estou aqui novamente na hora do meu almoço para lhes contar em dez minutos (ou menos, depende de quem está lendo isso aqui) como foi minha primeira saída com a Mary. Para quem não se lembra, Maryffennícia Feliciana Arco e Flexa é a garota que trabalha no mesmo setor que eu e que lembra muito a Marília Gabriela. Enfim, depois de muitas tentativas, finalmente vamos sair juntos. Depois de tanta insistência, tanto trabalho, tanto xaveco, finalmente conseguimos marcar um encontro a dois: eu e a linda garota. É, eu resolvi parar de dar um gelo nela e aceitar a saideira.

Marcamos de ir ao cinema e depois ao bar. Parecia um encontro a dois perfeito: eu, ela e a sobrinha dela de 8 anos. Saímos em plena horinha de folga.

Estávamos no shopping quando passamos por uma vitrine de uma loja de brinquedos. A pirralha gritou: “Tia! Compra pra mim! Eu quero aquela Barbie!”. Depois de muito combate, finalmente conseguimos passar a loja, fingindo não ouvir o “Buá” daquela remelentinha.

No cinema parecia tudo normal. Os filmes que eu gostaria de assistir eram “O Caçador de Sonhos”, “Assassinato do Presidente” e “Esparta”. Ela queria ver “A Casa do Campo”, “Como se fosse a primeira vez” ou “Anjos”. Entramos num acordo em assistir ao “A casa do Lago”. Mas por causa da pirralha que esperneava gritando “Chapeuzinho! Chapeuzinho!!!” tivemos que mudar nossa sessão para o “Deu a Louca na Chapeuzinho”. Saco.

No meio do filme, na parte em que a Vovó está pulando de pára-quedas, tentei dar a iniciativa. Peguei na mão da Mary. Ela continuou parada, olhando o filme. Percebi uma certa tensão, além do suor que molhava as mãos dela. Muito bem, depois disso eu abracei. Ela, movimentando-se como um robô, apoiou a cabeça em meu ombro. O momento estava tenso, mas vi que estava até fácil pra dar o bote. Quando finalmente ia acontecer o beijo: “TIAAAA!! TIAAAAA!!! EU QUERO FAZER COCÔ!!”. Maldita pirralha! Eu odeio pirralhas! Prefiro ter um filho viado do que ter um filho pirralha!

Depois do cinema, fomos ao bar. Mas antes, claro, deixamos a remelenta na casa da irmã da Mary. Lugar gostoso, agradável. Um barzinho muito bom que fica no Capão Redondo. O nome do lugar é “Batata’s Buteko”, ao lado do “Sunshine Night Club”. A banda ao vivo tocava 50th Cent em ritmo de pagode. O vocalista ainda tinha um belo sotaque baiano que deixava a canção mais apreciável:

(…)
Bói, ife iu ríli lóve mi nau
Quêm uí ualque daum de ésli?
Cãz iu nou ai eme gona rolde iu daum.
(…)

Depois de vinte garrafas de cerveja com vodka, a Marília Gabriela estava parecendo com a Juliana Paes. Desta vez foi bem mais fácil. Beijei, mas beijei de jeito. Por falar nisso, é incrível como o homem se distanciou de seu lado primata de um tempo pra cá, né? Acho que o álcool existe para levar o homem de volta à idade da pedra.

Enfim, fomos para a casa dela. Entramos. Perguntei se estávamos sozinhos e ela disse que sim. Em uma das conversas que tivemos, descobri que o pai dela é militar do exército e que a mãe dela morreu com um tiro disparado por ele. Não, não foi de propósito não. Na verdade ele se irritou com um pernilongo e tentou matá-lo. Mas errou o alvo. Estava sem seus óculos anti-miopia (8 graus em cada olho). Achou que a esposa fosse o pernilongo. Triste fim.

É como dizia Murphy: “Se uma coisa tem 0,01% de chances de dar errado, fique tranquilo. Vai dar tudo errado mesmo”. Estávamos no bem bom, amassados em cima da cama. Eu estava tirando o sutiã dela (ela sentada de costas pra mim e eu ajoelhado atrás dela) quando um bruta-montes entrou furiosamente no quarto, bufando feito um touro nervoso: “Mas que diabos significa isto?!”. Achei que fosse meu fim. Rapidamente Mary disse: “Oi papai! Chegou cedo hoje! Ah, deixe-me apresentar meu novo estilista!” e depois sussurrando: “Ele é gay!”. Aqueles olhos nervosos miraram pra mim como duas facas bem afiadas. Meio sem reação, disse com a voz fina e macia: “Hihihi, oi!”. Voltei a olhar para as costas de Mary e disse novamente com a voz macia: “Menina! Suas costas são bem largas! Olha que ischcândalo!!!”.

Tudo parecia estar dando certo. Mas, como eu comentei anteriormente sobre o maldito Murphy, por mais que pareça estar dando certo, no final vai dar errado. O cara de repente gritou: “SAIA DAQUI SUA BICHONA LOUCA!! NÃO SUPORTO HOMEM FROUXO PERTO DE MIM! VAZA ANTES QUE EU DEITE SEU CABELO, SEU VIADINHO DA PORRA! DEMOROU! QUER QUE EU TE DÊ UM CACETE AQUI MESMO, QUER?”.

Hoje eu já recuperei o trauma. Ainda não me encontrei com a Mary. Algo me dizia desde o início que não ia dar certo, mas eu acreditei? Nãaaaao! Tive que pagar para ver. Tudo bem, tudo nesta vida passa.

Muito obrigado a todos por ouvir meu desespero. Deixe-me sair daqui agora, preciso trabalhar. Ganhei um novo apelido que eu particularmente acho o máximo. O chefe achou muito difícil ter que pronunciar meu nome todas as vezes que ele precisasse de alguma coisa (3 vezes por segundo) e resolveu me chamar de Jarbas. Isso quando não toca um sininho irritante.

Um beijo a todos e até a próxima!

============================================

As Inestórias de Epiriquidiberto – Todas as quartas-feiras de noite, aqui na Vida de um Universitário e no Castelo de Marfim.





A Incrível Missa: Tributo a Cyril Takayama

20 04 2008

Meus queridos, como estão vocês?

Aproveitando novamente a hora do almoço para falar com todos os meus leitores queridos, vou fazer o prometido: falarei sobre a missa!

Juro que jamais presenciei algo tão divino em toda a minha vida! A Nova Igreja do Senhor é fantástica! Simplesmente o máximo! Na frente um padre, que nem parece padre, entrou com sua esposa loura de olhos azuis e blusa decotada. Ela pegou o microfone e disse: “Muito bom dia, pessoal! Hoje temos a presença de uma pessoa muito especial. Mas, como todos sabem, precisamos de uma certa quantia para trazê-la até aqui. Deixem o que puderem na cesta que está passando. Deus será grato pelo pouco que você der, mas se for seu salário inteiro com certeza não terá só a gratidão Dele, além de sua vaga no céu estar mais garantida. (…) Vamos receber com uma salva de palmas a Mala ‘n’ Drinha!!!”. Logo depois da fala dela, o padre entrou na frente e disse, erguendo os braços: “Aleluia!”.

Todos então começaram a aplaudir. Uma pequena garota, de uns 5 anos no máximo, saiu de uma cortina que havia atrás do altar. Sorrindo, recebeu o microfone da esposa do padre. Suas mãozinhas não conseguiam nem pegar direito. Mas ela continuou firme. Começou a recitar então: “Mutu boa noiti, mês imãos! Estô aqui pa lhis falá uma passagi muitu bunitinha do testamentu de Cyril, nosso Takayama!”. E começou a ler o livro que dizia:

“Em uma tarde que parecia ser sombria,
Cyril saiu para uma peregrinação.
Ao encontrar várias mulheres da vida encostadas num poste
Ele perguntou se tinham um tempo
E na resposta positiva, ele pegou uma garrafa vazia
E ao balançá-la, ela encheu-se de água.”
São Thomé das Letras, 5-4:2=3

Esta passagem lida pela garotinha emocionou a todos. Alguns até choraram. A garotinha continuou: “Você sabe o quê é isso, mermão? É forte! É poderoso! Pai da Eternidade e PRÍIIIIIIIIIIINCIPE DA PAAAAAAIIIHHH!! Alerula, glória a Cyril, nosso Takayama! Ele povra qui qualqué um de nóis consegue nossa garrafa vazia inchê de ága. É só acreditá, cooperar com o dízmo e ter fé! Aleluia, glória a Cyril, nosso Takayama!”

Depois disso, o padre pegou o microfone e disse: “Agora vamos dar continuidade com a Terceira Reza, ensinada por Cyril há três meses atrás. Aleluia, glória a Cyril.” O piano soou e todos começaram a cantar a música que dizia o seguinte:

“Carxará de fósfro
Bicoro de Pato
Ocoros Raíbam
Carcanha de grilo
Asa de barata
Suvaco de cobra
Oreia de besoro
Paster de carne

Abre a porteira
Fecha a porteira
Garrafão de pinga
Minduim torrado
Jaqueta de coro
Já que tá que fique
Nosso Takayama é…
Cyril! Cyril! Cyril!!”

Depois de rezar essa magnífica prece cheia de conhecimento (principalmente gramatical), todos aplaudiram. O padre, a mulher do padre e a Mala ‘n’ Drinha disseram em uma só voz: “Aleluia irmãos!!” e desapareceram na cortina. Todos se levantaram e foram para suas casas, purificados.

Bem, estou atrasado. Espero que tenham gostado da missa. Voltarei lá todos os domingos.

Um beijo a todos vocês. Até a próxima!

================================================

OBSERVAÇÕES:

Sobre a Crítica deste capítulo:

Estamos criticando aqui não as religiões, mas sim a facilidade que elas têm de manipular a fé das pessoas, induzindo-as com objetos que mexem principalmente com o sentimento delas, dizendo “que você está com o demônio que habita no seu patrimônio” (Gabriel, o Pensador) e que para purificar deve entregar tudo a eles. A inspiração para escrever este capítulo surgiu ao assistir ao filme que está abaixo.

De maneira alguma tentamos colocar aqui posições que vão contra as religiões. Ao contrário, na nossa opinião, o homem necessita de uma fé pra conseguir levar sua vida de uma maneira mais fácil, afinal de contas o ETERNO é o mesmo para todos. Criticamos aqui a doutrina aplicada por elas que sim, é corrompida, queira ou não. (Não generalizando)

As Inestórias de Epiriquidiberto – Todas as quartas-feiras de noite, aqui na Vida de um Universitário e no Castelo de Marfim.





A Invasão dos Velhinhos

11 04 2008

Meus queridos! Como vão vocês?

Hoje estou aqui para fazer um desabafo. Já conto o que tanto me afligia. E o pior de tudo é que isso aconteceu em um dia, apenas um único dia.

Em virtude do meu novo emprego, fui fazer um trabalho de office-boy. Eu trabalho em São Lourenço da Serra, interior de São Paulo e fui mandado até a Capital, num bairro chamado Morumbi (mais exatamente no Portal do Morumbi) para que pagasse a conta de água do meu chefe. Peguei um ônibus só até a Estação Tietê. No metrô já começou a avacalhação: tinham no mínimo quinze assentos vazios. Uma velha parou na minha frente. Eu olhei e continuei sentado, na minha. Até que um cara que estava na porta caminhou até a minha presença e disse: “Amigo, deixa a senhora sentar-se aí neste banco.”. E olha que eu nem estava naqueles bancos reservados, hein! Como não gosto de discutir com homens mais fortes do que eu, simplesmente me retirei.

Desci na Estação Santa Cruz para pegar um ônibus na frente do Shopping no qual se localiza o metrô. (Observação a parte: se você nunca andou de metrô em São Paulo, faça-o o mais rápido possível. É maravilhoso) Jardim Maria Sampaio era o nome do ônibus que estava escrito no meu guia. Entrei e vi o cobrador: era um velho. Eu dei pra ele R$ 5,30 para que fossem subtraídos R$ 2,30. Mas eu acho que ele não tinha entendido qual o valor real da passagem. Ele me voltou 50 centavos e disse para eu passar. Educadamente eu disse àquele cabeça de bagre podre que estava faltando. Perdi a paciência na 23ª tentativa de repetir “Está faltando troco”, sempre seguido com a mesma assertiva “Hein?!”.

Desculpem se pareço estressado, mas não disse quase nada do que eu ainda tenho que dizer. Finalmente cheguei ao banco. Maravilha! Meu serviço estará quase completo. Banco Público, agência do Portal do Morumbi (lugar sem muita movimentação de “povão”, ou seja, só magnata), parecia uma tarefa fácil. Cheguei na fila: uau! 3 pessoas na minha frente e 2 caixas atendendo! Observei bem e um deles era velho. Mas não me importava com isso. Afinal, tudo que estava acontecendo não passava de mera coincidência.

O cara da minha frente carregava uma pasta enorme de documentos. Mas ainda tinha o outro caixa para fazer o pagamento: o caixa de atendimento preferencial. Quando o velho homem que atendia neste caixa terminou, anunciando minha vez, chegou uma senhora e passou na miha frente. Tudo bem, eu esperaria. Outra senhora chegou. E outra. E mais um senhor. Dois. Três. De repente, quando eu vi, tinha uma fila de 16 velhos no caixa preferencial. E aquela múmia que estava atendendo as outras múmias no caixa simplesmente fala: “Vou almoçar. Atende o resto aí, certo?” Nossa, eu fiquei furioso! Um único caixa, terminando as centenas de contas que o cara tinha que pagar pra depois atender aquela imensa massa velha que estava crescendo a cada minuto pra depois me atender?! É preciso ser muito artista. O serviço público está uma catástrofe!

Enfim consegui sair de lá boas horas depois de ficar roxo de ódio. Eu poderia jurar que o próximo velho que cruzasse meu caminho levaria uma bicuda tão forte que iria matar mais ainda o “falecido”. Isso também serviria para velhas. Dizem que elas não tem tal instrumento, mas nenhum homem tem coragem de comprovar.

Voltei no ônibus e perguntei: “Por quê, Deus? Por quê faz isto comigo?”. O mesmo, eu disse O MESMO cobrador estava me esperando. Pelo menos desta vez não foi tão ruim: dei a ele uma nota de R$1,00 dizendo que era a nova nota de R$ 2,30 ele aceitou. Não deve ter me ouvido, mas deve ter achado que a nota era de R$5,00.

Estava no metrô, querendo logo voltar para o trabalho quando outro filho duma desgrama me diz: “Ae cara, deixa a senhora sentar no seu lugar”. Ah não, eu explodi. Gritando e com muita raiva, dei uma boa resposta: “DEIXO!”. Fiz cara feia. A velha olhou e falou, exalando aquele bafo desgraçado de palmito ardido: “É, não se fazem mais jovenzinhos como antigamente, blá, blá, blá, patati patatá”. Que vontade louca de arremessar um botijão de gás na boca dela, pra fazer ela parar de falar.

Felizmente não tive problema com os velhos do ônibus de volta para a São Lourenço. Cheguei e entreguei os documentos pro chefe e vim almoçar. Agora estou tomando coragem pra próxima tarefa: levar a mãe do chefe ao supermercado. Ainda bem que a Mary vai comigo. Lembra daquela menina que se parece a Marília Gabriela? Pois então, ela vai me dar uma força. Vai dar tudo certo! Tomara…

Percebi que detesto velhos e principalmente velhas. Com o rostinho “inocente” se acham no direito de terem mais direitos do que você. Ai que raiva! E no trânsito então? Acho que São Paulo é um inferno no trânsito por causa dessas “tiazonas” que bagunçam tudo, achando que andar de carro é só pisar no acelerador. E a voz rouca delas quando reclamam? Parece arranhar os ouvidos! Ah, como eu detesto velha! Odeio! Odeio!! Prefiro ter um filho viado do que ter um filho velha!!!

E por hoje encerro minha jornada aqui com vocês. Vou voltar ao expediente, o trabalho me chama. Afinal, sou brasileiro e não desisto nunca. E brasileiro ri de tudo também. Ri quando o preço da gasolina sobe, ri quando é assaltado, ri quando é baleado, ri quando tem o sonho arruinado… Ri até quando é gol da Argentina. Ok, Argentina não.
Bom, estou indo. Um beijo a todos vocês e até a próxima. E obrigado por ouvirem o meu sufocado grito de desespero que estava embolado na garganta.

==============================================

As Inestórias de Epiriquidiberto – Todas as quartas-feiras de noite, aqui na Vida de um Universitário e no Castelo de Marfim.