Normalmente, quando se tem um problema com uma pessoa, a melhor maneira de se resolver isso é justamente tendo uma conversa com essa pessoa. Mas, claro, isso não é o que acontece normalmente.
Pessoas fofocam. Fofocas criam pontos negativos numa pessoa. Pontos negativos geram os “defeitos” de alguém. Esses defeitos criam reclamações. E as reclamações prejudicam uma pessoa profissionalmente.
Eu estou, desde os 3 anos de idade, frequentando salas de aula, e não parei desde então. Já mudei de sala, mudei de escola, mudei até de cidade. Traduzindo: já vi muitos professores, alguns dos quais eu achei rabugentos. Sempre preferi os professores mais alegres e descontraídos.
Eu sou alegre e descontraído.
Quando percebi que iria me tornar um professor, a minha primeira meta foi não me tornar um desses professores rabugentos, de mal com a vida. Quem vê pensa que eles são obrigados (por falta de opção) a irem dar aulas para pagar as contas e que não gostam do que fazem.
Eu gosto do que eu faço.
Quem me conheçe sabe que eu gosto de ajudar as pessoas, independentemente do que seja. Ao dar aulas, eu sinto que estou ajudando essas pessoas em alguma coisa, eu sinto que estou passando algo de útil pra elas, eu sinto que estou fazendo a minha parte para ajudar no desenvolvimento disso que chamamos de mundo.
Eu me sinto feliz dando aulas.
Nas aulas eu faço piadas, desenhos, diagramas, palhaçadas. Eu uso e abuso de variedade, afinal é um curso extra-curricular, você precisa prender a atenção das pessoas. Algumas delas talvez estejam lá por obrigação, porque “a mãe mandou fazer”, e são essas pessoas principalmente que você não pode deixar escapar e cair no mundo do tédio.
Também existe respeito dentro da sala de aula. Claro, você pode usar a Internet e ver seus e-mails na aula, contanto que não abuse e faça os exercícios propostos. Esse é o acordo verbal feito no começo de cada turma que eu tenho. Se alguém desobedecer, eu vou chamar a atenção dela: a pessoa se toca e se comporta. Sempre funcionou e desde que eu comecei a dar aulas, nunca precisei levantar a voz pra ninguém.
Mas alguém não gostou.
Uma pessoa contou pra mãe o meu estilo de aula. A mãe, cabeça fechada do jeito que é, achou um absurdo e disse que a filha não está aprendendo nada com o curso. Claro, isso chegou aos meus ouvidos. “Impossível”, eu pensei, afinal ela era a melhor aluna da sala e passava com 10 em tudo! Como pode uma pessoa que não está aprendendo nada passar com 10 de média? Muito pelo contrário, ela sabe fazer tudo!
Naturalmente, a minha opinião de nada valeu, e a mãe obrigou a escola a trocar o professor do curso, ou ela trancaria a matrícula da filha. Como sempre, o dinheiro fala mais alto, e trocaram o professor.
Sem me avisar.
Me ligam hoje, faltando uma hora pra aula começar, e me avisam de tudo isso. Não quiseram nem ouvir a minha versão da história. Não fiquei triste nem com raiva de ninguém de lá, mas o que me deixou nervoso foi o fato de decidirem o que iriam fazer sem nem querer escutar a minha opinião – a opinião do professor que dava aula pra essa turma.
Eu costumava olhar pra essa aluna com orgulho, vendo que ela era uma pessoa dedicada e que se interessava pela matéria. Agora, o único olhar que eu tenho é de desprezo.
Mas esse não é o fim da história. Os restante dos alunos dessa turma não são apenas alunos… São amigos. E, naturalmente, eles não gostaram da troca do professor. Vão reclamar e vão ameaçar, eu tenho certeza, conheço eles, vão me querer de volta.